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O
Fatto Olé bateu um ping-pong
com um dos maiores nomes da história do tênis
brasileiro, o são-paulino Fernando Meligeni.
Desafio de bamba. Fala sério: você está
cansado de saber que o Fininho é gente boa, inteligente
e uma baita figura do esporte nacional, não é
mesmo? Por isso, fizemos o cara trocar as mãos
pelos pés neste bate-papo; nada de raquete, saibro,
saques, aces e bolinhas pequeninas. Aqui e agora o capitão
do Brasil na Copa Davis coloca o time em campo pra falar
de futebol, oras. Aproveite e faça uma tabelinha
com o craque Fino!

O tênis e o futebol têm algo em
comum?
FERNANDO MELIGENI: No Brasil, os dois
têm a mesma característica de falta de
organização que espanta a iniciativa privada.
Imagina só se tivéssemos no futebol uma
federação mais organizada, os estádios
mais seguros, menos impunidade, o preço fosse
justo, se ir para o Morumbi fosse a mesma coisa do que
ir para o Santiago Bernabéu! Poderíamos
estar muito além. A mesma coisa no tênis:
todos os presidentes de empresas gostam do esporte.
Para relacionamento, o tênis é incrível.
Mas essa falta de organização...
Argentino de nascença e brasileiro por
opção, como você analisa a passagem
de Tevez e Mascherano pelo Timão?
Acho que essa rivalidade entre e Brasil e Argentina
é muito complicada. Olha, não é
por ter nascido lá e eu também nem sou
corintiano, mas acho que o time e a torcida deveriam
ser muito gratos ao Tevez. Muito mais do que ao Mascherano
ou qualquer outro jogador. Ele foi o melhor do campeonato,
ganharam muitos jogos em função dele.
Claro que a situação ficou chata por ele
ser argentino e por ter ido embora de uma maneira estranha,
mas o Corinthians tem problemas há um bom tempo
para as pessoas colocarem a culpa no Tevez. Todo mundo
sabia que o prazo de validade dos argentinos no Brasil
era de um ou dois anos.

Você sempre foi considerado um guerreiro do esporte:
dá para se imaginar de chuteira?
Sempre gostei muito de atuar no gol. Eu joguei futebol
de salão na época de escola, mas era péssimo.
Depois, nos rachões que jogava entre tenistas
eu ficava embaixo nas traves. Sempre curti jogar bola,
mas como goleiro.
Fino, como são-paulino que é,
já pensou em ocupar um cargo na diretoria do
Tricolor?
Já fui chamado várias vezes no São
Paulo para fazer palestras, conversar com os jogadores.
Na época do Paulo César Carpegiani eu
fui conversar com a boleirada, tinha acabado de chegar
de uma final de Roland Garros. Era muita pressão
porque o elenco para quem eu falava era o Raí,
o Márcio Santos... Essa foi a maior proximidade.
Acho que é cada um na sua. Existem pessoas no
Brasil que sabem muito mais de futebol do que eu. Não
entendo muito do esporte, entendo de garra, de atitude
e de tênis. Eu acredito que só perseverança
e vontade não ganham jogo. Você tem que
ter a técnica.
Muita gente considera o Rogério Ceni
arrogante. E você, que já deu uma surra
no goleiro na quadra, concorda?
Eu tenho muita admiração por ele. O Ceni
é um cara inteligente, apaixonado pelo time que
joga. Muito ponderado nas atitudes. Torço muito
para que ele seja o presidente do São Paulo mais
tarde, ou pelo menos um dirigente. Ele incorporou o
time. Quando o São Paulo perde, ele perde. O
cara veste a camisa de verdade.
De cada 100 boleiros, 90 tomam cerveja... Jogador
de futebol pode ser considerado atleta?
Pode. Esse tabu de que atleta não pode fazer
nada na vida tem que acabar. As pessoas acham que nós
somos santos. É diferente, os atletas foram regrados
a vida inteira, mas tomam cerveja. Eu, por exemplo,
bebia, saía à noite, me relacionava com
mulheres, mas tudo na hora certa. É claro que
se existir uma competição importante,
o atleta tem que dormir bem, mas se ele está
nos dias de descanso, qual o problema? Muitas vezes
o cara sai pra um bar pra esquecer, pra espairecer.
Claro que tem jogador que quebra tudo e que é
baladeiro mesmo, como tem tenista, jogador de basquete...
O mundo é assim.

Voltando pra sua praia, você manda bem
com qualquer raquete na mão?
(Risos). As pessoas acham que jogadores de tênis
são bons com qualquer raquete. Em ping-pong sou
uma negação. Squash nem fala... O mais
fácil que tem é frescobol, mas me garanto
mesmo é no tênis.
E o Guga, vai ou racha?
O Guga está tentando recuperar o lado físico
dele, que é seu grande problema. A parte técnica
está esperando que o físico permita que
ele jogue melhor. Eu mesmo, que sou mais próximo
dele, não posso fazer qualquer tipo de especulação.
O que eu acho é a mesma coisa que todo mundo
acha. A resposta está dentro do corpo dele mesmo.
Bom, a Copa Fino é seu novo xodó,
né não?
Eu nunca tinha imaginado fazer uma copa infanto-juvenil.
Quando eu parei de jogar, senti uma vontade muito grande
de olhar mais de perto a molecada, que é minha
gasolina dentro do tênis. Fiquei pensando em fazer
palestras ou construir quadras de tênis para treinar
os meninos. Só que aí eu percebi que ia
acabar pegando muito pouca gente. Aí pensei em
fazer um campeonato de tênis: eis a Copa Fino.
Por causa do seu corpo, ganhou o apelido de
Fininho durante a carreira. Mesmo fora das quadras,
você adotou o apelido?
Quem me deu esse apelido foi o Dácio Campos (ex-tenista)
quando eu tinha uns 17 ou 18 anos de idade. Na verdade
não fui eu quem adotou o apelido, adotaram pra
mim (risos). Eu já era chamado de Mogli (o menino
lobo), Ringo Star (Beatles), Esqueleto (do He-Man) e
Fininho. É sempre assim, a galera adota o apelido
que você menos gosta.
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