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Kim
e André Luís comemoram título
da Copa da Liga Francesa, em março
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Apaixonante
por sua diversidade gastronômica, a França
sempre lutou para deixar de ter um futebol sem sal.
E conseguiu nesta temporada, graças à
ajuda de 28 “chefs” brasileiros que espalham
um tempero especial pelo Campeonato Francês, com
a pimenta dos baianos, o churrasco dos gaúchos,
o feijão dos mineiros...
“A cozinha francesa não costuma aceitar
estrangeiros, e isso também existia no futebol”,
revela o francês Emmanuel Bassoleil, um dos mais
prestigiados cozinheiros do mundo. “Porém,
com o bom temperinho especial do Brasil, o futebol francês
acabou engolindo os boleiros pentacampeões”.
E com muito gosto.
Depois do tremendo sucesso de Juninho Pernambucano,
Cris, Caçapa e Fred pelo Lyon, a terra da Torre
Eiffel e do Arco do Triunfo se rendeu ao molejo e à
irreverência típica dos brazucas. Nunca
o campeonato local teve tantos brasileiros como agora
– Alemanha e Itália, por exemplo, conta
com menos “importações” legitimamente
nacionais que a França.
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Grafite,
Túlio e Paulo André são as
estrelas do elenco do Le Mans
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A
receita brasileira de jogar o bom futebol virou referência.
Atual pentacampeão francês, o Lyon caminha
a passos largos rumo ao sexto título graças
ao molho brasileiro. Fred é o artilheiro do time
com sete gols, Juninho Pernambucano ocupa a liderança
em assistências e Cris goza do status de atleta
que mais minutos atuou – 1.270 na temporada 2006/2007.
O Lyon, inclusive, é o recordista em boleiros
do nosso País. O Bordeaux aparece logo atrás,
com três atletas (o zagueiro Henrique, o volante
Fernando e o meia Wendel), além do técnico
Ricardo Gomes.
Como a Primeira Divisão é formada com
20 clubes, a média é de mais de um brasileiro
por time. Somente os pequenos Lorient, Sedan e Vallenciennes,
e o médio Auxerre não contam com atletas
formados nos campos de várzea canarinho em seus
elencos.
“Somos
tratados como heróis na cidade depois que conseguimos
o título da Copa da Liga”, revela o zagueiro
André Luís, do Nancy, referindo-se à
conquista do campeonato, em março – desde
1978, quando ainda contava com Michel Platini, que o
Nancy não ganhava qualquer taça. “O
pessoal já me olhava de um jeito diferente pelo
fato de eu ser brasileiro, agora imagina como a minha
vida ficou depois que fiz o gol do título”,
conta o atacante Kim, que garantiu o caneco ao Nancy
ao marcar de cabeça o gol que decretou o placar
de 2 a 1 sobre o Nantes, em pleno Stade de France.
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28 brasileiros atuam no atual Campeonato Francês |
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Ricardo Gomes é um dos 20 técnicos
na 1ª Divisão |
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O Lyon é o clube com mais brazucas:
quatro |
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Apenas Auxerre, Lorient, Sedan e Vallenciennes
não contam com brasileiros |
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Moral
alto - Revelados pelo Atlético-MG, Kim e
André Luís representam bem o perfil dos
brasileiros que atuam na França. Em geral, são
jogadores que deixaram o País cedo, sem muito
destaque e entraram na Europa pela porta dos fundos.
Meses depois de ser vice-campeão da Taça
Libertadores pelo Atlético-PR, em 2005, o zagueiro
Paulo André tomou esse rumo: acertou com o Le
Mans, em troca de uma verdadeira bolada.
“Vim
atrás das oportunidades que irão abrir
se eu conseguir me firmar aqui”, admite Paulo
André, que tem passaporte italiano e, portanto,
não ocupa uma das vagas destinadas aos estrangeiros.
“Senti bastante dificuldade no começo,
porque o estilo de jogo e a velocidade da partida são
bem diferentes daqueles que estava acostumado. Mas com
o jeitinho brasileiro se consegue tudo”, reconhece
o xerifão, que joga com Grafite (a contratação
mais cara da história do clube) e Túlio.
Parece mesmo que todo dia é dia de feijoada na
França. Não é em qualquer lugar
que tudo acaba em pizza, não é mesmo Emmanuel
Bassoleil? “Atualmente os franceses gostam bastante
da culinária do Brasil. Por isso, temos que mostrar
uma nova gastronomia e não ficar exportando só
os pratos tradicionais, precisamos mostrar todos os
nossos sabores. Assim como no futebol, a grande riqueza
da comida brasileira é a variedade de matérias-primas”,
responde o talentoso chef
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