2006 - EDIÇÃO 57

Os templos do futebol
Por Jorge Nicola

O maior adversário do Brasil em sua intenção de abrigar a Copa do Mundo de 2014 é a falta de estádios modernos. A fim de dar uma mãozinha aos dirigentes nacionais com algumas referências importantes, o Fatto Olé saiu à caça das mais novas e imponentes arenas do planeta e produziu uma espécie de guia dos principais templos do futebol. Aqueles lugares em que uma visita é obrigatória. É verdade que a maioria deles custou verdadeiras fortunas, mas é viável construí-los de maneira mais barata com parcerias e ajuda da iniciativa privada, seguindo os bons exemplos europeus.

Allianz Arena

As duas últimas Copas do Mundo espalharam verdadeiras obras de arte em formato de estádios por Alemanha, Japão e Coréia do Sul. Os germânicos construíram ou reformaram 12 arenas, enquanto os japoneses e coreanos começaram praticamente do zero outras 12. Por conta dos Mundiais, são indispensáveis as visitas ao Allianz Arena, em Munique (Alemanha), ao Yokohama Stadium, em Yokohama (Japão), e ao Busan Asiad Main Stadium, em Busan (Coréia do Sul).

Em comum eles têm tudo de melhor no que diz respeito à engenharia e tecnologia. O Allianz Arena, por exemplo, recebe os jogos do Bayern de Munique e do Munique 1860. A fim de torná-lo familiar a seus torcedores, o estádio muda de cor dependendo de quem for atuar. Se for o Bayern, ele se transforma em vermelho. Caso receba o 1860, é tomado pelo azul. Pensa que acabou? O palco da abertura da Copa da Alemanha ainda fica cinza, quando quem está em campo é a seleção alemã.

E não pense que é apenas o Mundial que deixa um rastro de modernidade. Para receber a Eurocopa de 2004, Portugal teve de transformar suas “instalações”. Melhor para o púbico português, que hoje assiste às partidas do campeonato nacional em arenas deslumbrantes. Apenas para citar duas: Estádio da Luz, casa do Benfica, e o Estádio do Dragão, onde joga o Porto.

Emirates Stadium

O Estádio da Luz é um ótimo exemplo do quanto um campo de futebol mudou em relação ao passado. O antigo palco foi demolido para a construção do novo. Em vez dos 120 mil lugares de outra época, o campo inaugurado em 25 de outubro de 2003 comporta pouco mais da metade – 65.647. Já não se constroem estádios tão grandes, porque se tem a idéia de que não é algo rentável e inteligente no que tange à parte mercadológica.

ERGAM AS SOBRANCELHAS - É do Arsenal, da Inglaterra, o estádio de futebol mais espetacular do planeta. O Emirates Stadium custou aproximadamente US$ 712 milhões e foi projetado pelo conceituado escritório de arquitetura Hok Sport. Inaugurada em abril deste ano, a arena londrina comporta 60 mil pessoas. O que mais impressiona são suas instalações. Os vestiários repetem a infra-estrutura de hotéis cinco estrelas. Já os assentos nas arquibancadas são aquecidos, para que os torcedores não fiquem com seus bumbuns congelados.

O Emirates Stadium vai bem além de um simples lugar onde se disputam jogos de futebol. Na prática, ele funciona como uma cidade em formato de arena. Lá, o torcedor passa bem mais que os 90 minutos da partida. Ou você não gastaria seu domingo passeando pelo shopping montado pelo clube com as principais grifes da moda, e com direito a restaurantes, bares e um museu contando todos os mínimos detalhes da história do Arsenal.

Camp Nou

A casa do Arsenal revela também a nova tendência na construção de estádios. Para não ter de arcar com os US$ 712 milhões pela obra, o clube de Ashburton Grove fez uma parceria um tanto quanto simples de entender com o Grupo Emirates: em troca do nome do estádio, o Arsenal recebeu mais da metade da bolada para tirá-lo do papel. Assim, pelos próximos 15 anos, o estádio se chamará Emirates Stadium. O “patrocinador” da arena ainda tem direito a camarotes e exploração da imagem com placas de publicidade. A prática é extremamente comum. Os estádios da Copa da Alemanha, por exemplo, se chamam Allianz Arena, Signal Iduna, Veltins, AOL, Gottlieb Daimler, Commerzbank, Rhein Energy, AWD, Zentral e Easy-credit.

Mas não é só de estádios cheirando a novo que o guia do Fatto Olé vive. Três velhinhos fazem sucesso e encantam qualquer torcedor de futebol. São eles o Camp Nou, do Barcelona; o Santiago Bernabeu, do Real Madrid; e o Giuseppe Meazza, que recebe o Milan e a Inter. Todos têm mais de 50 anos de vida e ainda apresentam a antiga arquitetura, com formas mais retas, e que abusam da ostentação. Deles, o “menor” é o Santiago Bernabeu, com capacidade para incríveis 80.354 pessoas.

No estádio madrilenho há pacotes sendo vendidos por 15 mil euros com direito a entrada preferencial, estacionamento privativo, almoço preparado por grandes chefes de cozinha. Tudo isso em meio a copos de cristal, telas de plasma e garçons treinados para mimar o torcedor.

Emirates Stadium
Londres (Inglaterra)
60.000 pessoas
Construído em 2006
Yokohama Stadium
Yokohama (Japão)
70.564 pessoas
Construído em 1997
Allianz Arena
Munique (Alemanha)
69.901 pessoas
Construído em 2005
Busan Asiad Main Stadium
Busan (Coréia do Sul)
55.982 pessoas
Construído em 2001
Camp Nou
Barcelona (Espanha)
98.934 pessoas
Construído em 1957
Estádio da Luz
Lisboa (Portugal)
65.647 pessoas
Construído em 2003
Santiago Bernabeu
Madri (Espanha)
80.354 pessoas
Construído em 1947
Estádio do Dragão
Porto (Portugal)
50.106 pessoas
Construído em 2003
Giuseppe Meazza (San Siro)
Milão (Itália)
85.700 pessoas
Construído em 1927
Amsterdam Arena
Amsterdã (Holanda)
51.324 pessoas
Construído em 1996