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Você
não imagina as confusões, as roubadas
e as frustrações que o novo queridinho
da Seleção Brasileira enfrenta no futebol
ucraniano. Perto de completar dois anos no Shakhtar,
Elano abriu o jogo para o Fatto Olé,
direto da cidade de Donetsk. O ex-santista não
vê a hora de mudar de praia. Temperaturas de 28º
C negativos, idioma incompreensível, baixíssimo
nível do futebol e alguns bons micos dentro e
fora de campo serviram para tirar do sério até
quem cresceu em meio ao corte de canas de açúcar,
como bóia-fria, ao lado dos pais, em Iracemápolis,
no interior de São Paulo.
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Elano
comemora gol contra Argentina
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“Acho que em janeiro, quando o mercado de transferências
na Europa reabrir, as sondagens que recebi nos últimos
dias irão virar propostas concretas e eu conseguirei
realizar meu desejo de jogar num país com mais
tradição”, admite o Elano, em entrevista
exclusiva.
O fato de ter virado xodó de Dunga está
o ajudando. Com os dois gols marcados na vitória
do Brasil sobre a Argentina por 3 a 0, em amistoso realizado
em setembro, Elano virou o alvo de clubes da Inglaterra
e da Espanha. Quem não gostou muito foi o presidente
do Shakhtar, Rinat Akhmetov. “O homem não
quer me liberar de jeito nenhum. Me comprou até
uma casa bacana”, conta o meia.
O novo lar, com quatro quartos, quintal espaçoso
e num bairro bastante arborizado, em nada lembra o apartamentinho
modesto onde ele passou alguns dos momentos mais duros
da vida. Porque, apesar da bolada que recebe mensalmente
(quase dez vezes mais que na época do Santos),
Elano penou demais enquanto morou no quarto-e-sala alugado
pelo Shakhtar. “O apartamento era ridículo.
Nada lá funcionava, porque as instalações
eram muito antigas”, lembra. “Como não
havia garagem para o carro, eu tinha de acordar sempre
uma hora mais cedo, para ficar tirando a neve que ficava
em cima dele.”
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Pelo
Shakhtar , com o brasileiro Brandão
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E não era pouca neve, não. “Cheguei
a ter de treinar com menos 28º C. Eu chorava quando
saía de casa, pensando que precisaria correr
atrás de uma bola com essa temperatura”,
admite o garoto de 25 anos, que ainda hoje não
encontrou a fórmula para escapar do congelamento.
“Me encho de roupa, coloco touca, uso pomada nos
pés e mãos, e deixo só os olhos
para fora, mas nada funciona.”
ENTRANDO NUMA FRIA – A pacata
cidade de Donetsk está localizada a sudoeste
da Ucrânia, e fica bem mais próxima da
divisa com a Rússia (cerca de 100 quilômetros)
do que da própria capital do país, Kiev,
que está a quase 600 quilômetros de distância.
Somente nos meses de junho, julho e agosto, a população
local consegue escapar das baixas temperaturas para
até arriscar bermudas, saias ou roupas mais curtas.
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Brasileiro foi capa da revista do Shakhtar
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Elano viveu sua maior alegria em território ucraniano
há nove meses, quando nasceu sua primeira filha,
Maria Teresa. Usando a camisa número 36 do Shakhtar,
ele também teve momentos animadores – é
o atual artilheiro da equipe no ano e tem dois títulos
nacionais. “Eu e os outros cinco brasileiros do
time (Jadson, Fernandinho, Brandão, Leonardo
e Matusalém) conseguimos fazer do time o mais
forte. Até porque o pessoal por aqui costuma
correr muito e pensar pouco”, dispara.
Nome certo em todas as convocações de
Dunga até o momento, e com o passaporte recém-obtido
da Comunidade Européia, o brasileiro alcançou
fama de pop-star na Ucrânia. Num dos três
encontros anuais promovidos pelo Shakhtar entre torcedores
e jogadores, 99% das perguntas dos fãs foram
para Elano. "Teve gente querendo saber se o Kaká
é realmente bonito, se o Ronaldinho Gaúcho
é legal, se o Robinho é brincalhão..."
Fala sério.
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