Felipe
Massa trocou o capacete pela bola de futebol só
para deixar o Fatto Olé na cara
do gol. Você sabia que o baixinho é o craque
do time entre os pilotos-boleiros da Fórmula
1? Durante bate-papo de mais de uma hora, o ídolo
brasileiro revela segredos interessantes dos bastidores
da categoria. Entre outras confidências, o são-paulino
da escuderia Ferrari conta que Rubens Barrichello é
um baita grosso: “ele não manja nada de
futebol”.

Rola nos bastidores da F-1 o papo de que você
é o craque do time dos pilotos...
FELIPE MASSA – É verdade.
Não dá para esconder que o nível
da turma é baixo, mas pelo menos eu me salvo.
Jogo de ponta-direita e aproveito minha velocidade para
criar as jogadas para os companheiros. Mas também
meto meus golzinhos.
É comum no Brasil que o primeiro presente
de cada menino seja uma bola. Com você também
foi assim?
Foi. Exatamente como todos os meus amigos. Eu deveria
ter lá pelos dois anos quando meu pai (Titonio
Massa) apareceu com uma bola. A paixão pela velocidade
só veio depois, já com uns cinco anos,
quando ganhei uma bicicleta. Em seguida me deram uma
moto e mais para frente passei para o kart.
E o futebol ficou de lado?
Um pouquinho. Para ser bem sincero, tenho conseguido
jogar bola nos eventos da própria F-1. Toda quinta-feira
que antecede um Grande Prêmio tem futebol entre
o pessoal da Ferrari, e eu não perco um. Também
rolam os jogos entre os pilotos, e só perco um
ou outro.
Então quer dizer que a estrela dos pilotos-boleiros
não dá o ar de sua graça em toda
pelada?
Mas tem uma explicação boa: é que
eu não gosto de jogar quando convidam os jogadores
profissionais. Os caras são muito melhores que
a gente, porque vivem disso, e fazem de tudo para nos
humilhar. Ou você não lembra do rolinho
que o Robinho deu no Schumacher em 2004, lá na
Vila Belmiro? Sem contar que há sempre uma chance
grande de a gente se machucar, porque eles são
muito mais fortes, encorpados, e entram em cada dividida
para rachar.

Além de você, quem mais tem talento
com a bola nos pés?
O Fernando Alonso tem bastante noção.
O (Giancarlo) Fisichella também sabe o que fazer
quando vai ao ataque, e o (Vitantonio) Liuzzi é
daquele tipo artilheiro. Também incluiria o Schumacher
no time dos melhores, mas por causa do fôlego
dele. O cara joga toda semana num time semiprofissional
e corre feito louco. Ele é daquele tipo volante
que está em todas as partes do campo, sabe? Apesar
de não ter aquele remelexo todo, melhorou bastante
nos últimos anos.
Essa parceria entre você e o Schumi no
futebol ajudou no relacionamento dentro e fora das pistas
de velocidade?
Ah, com certeza sim. Até porque ele é
meio fechadão, e o futebol serviu para quebrar
o clima. Cansei de pôr ele na cara do gol, e as
coisas entre a gente, a partir daí, melhoraram
bastante. Não considero o Michael um amigo, pois
não existe amizade na F-1. Mas ele é um
grande companheiro, e existe muita lealdade das duas
partes.
E quem são os grandes pernas-de-pau?
O Rubinho está no topo da lista, viu. Ele é
muito grosso, não manja nada de bola e também
nem gosta. O mais engraçado de tudo é
que ele não aceita que você diga que ele
é ruim. É capaz até de ele ficar
bravo comigo por eu estar falando isso nesta entrevista
(risos).
Vocês, pilotos, já jogaram futebol
em todos os cantos do planeta. Qual é a melhor
recordação dessas peladas?
Uma vez fizemos uma partida na Alemanha para quase 60
mil pessoas. Foi um barato, porque tinha gente demais
assistindo, e eu nunca tinha vivido essa realidade.
Na Hungria também teve um episódio bem
legal: fomos jogar num estádio pequeno, para
12 mil pessoas, eu acho, e tinha quase o dobro de gente.

E rola alguma rivalidade entre os pilotos dentro
de campo?
Não, o que acontece é que a rivalidade
das pistas é levada para o campo. Vou dar um
exemplo: o Alonso sempre jogou com a gente, e adora
futebol. Só que depois que ele e o Schumacher
começaram a se estranhar publicamente, por causa
das provas deste ano, nunca mais apareceu para jogar
bola.
São-paulino que é, você
acha que o tetra no Brasileirão já está
garantido?
É só uma questão de tempo, mas
o título já é nosso. E o São
Paulo merece ser campeão, porque foi melhor que
os adversários desde o comecinho. Quem sabe a
gente não assegura o campeonato contra o Santos,
que é o time do meu pai.
Ah, então rola uma disputa em casa?
Meu pai sempre quis que eu fosse santista. Cheguei até
a torcer para o Santos quando era criança, mas,
conforme fui crescendo, virei são-paulino. Na
época que decidi mudar de time, o São
Paulo ganhava tudo e a maioria dos meus amigos era tricolor.
Então acabei aderindo.
Mas você é daqueles fanáticos?
Só não fui mais ao estádio porque
cresci em Botucatu (cidade a 225 quilômetros de
São Paulo), e era complicado pegar tanta estrada.
Mas sou são-paulino fanático, sim. Nesse
ano cheguei a ir ao Morumbi, num jogo contra o Chivas
(em que o Tricolor foi derrotado e perdeu uma invencibilidade
de 29 jogos em casa na Taça Libertadores). Só
porque os mexicanos conseguiram acabar com esse tabu
a turma passou a me chamar de pé-frio. Depois,
também, fiquei com raiva e não fui mais.
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