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ser num campo de várzea, num clássico
entre Barcelona e Real Madrid ou numa final de Copa
do Mundo. Todos os olhos do público vão
estar sempre voltados para um só jogador: o dono
da camisa 10. Depois de muito fuçar, o
Fatto Olé descobriu porque cargas d'água
essa camisa é garantia de sucesso. Afinal de
contas, vestiu, levou a fama. O 10 teve e ainda tem
papel decisivo no futebol mundial. Magia, feitiço,
sorte ou coincidência?
O
mito começou com uma distribuição
aleatória de camisas que a Fifa fez para a Seleção
Brasileira na Copa de 58. Isso porque nos anos 50 a
numeração não tinha muita importância.
O resultado foi meio estranho. Por exemplo, a três
ficou com o goleiro Gilmar; o ponta-direita Garrincha
ganhou a 11; o meia Didi levou a seis; e Pelé
calhou de ficar com a camisa 10. O sucesso na Copa fez
nascer a crença na camisa. O Rei, a partir daí,
só trocou o número uma vez, num jogo em
que começou no banco de reservas, diante da Áustria,
em 1972. Como a tradição não permite
que um 10 fique de reserva, o supersticioso Zagallo
fez com que ele usasse a 13.
Autor do livro A Magia da Camisa 10, o escritor
André Ribeiro tem na ponta da língua as
características do homem que usa o manto sagrado.
“Ele precisa contar com rebeldia com a bola nos
pés, bom temperamento e acima de tudo genialidade”,
explica. Em sua obra, ele conta a história dos
grandes personagens. “A 10 é um dom. São
geralmente homens especiais, que estão no lugar
certo e na hora certa... Eles são predestinados.”
Só para refrescar a memória e reforçar
a teoria da mística: Maradona, Zidane, Zico,
Ademir da Guia, Eusébio, Puskas e Platini são
alguns nomes que marcaram o futebol mundial e coincidentemente
usaram a 10. Mas quem nasceu primeiro? Ou seja, esses
jogadores viraram craques por vestirem a 10 ou vestiram
a 10 porque viraram craques?
Neto, o grande camisa 10 da história do Corinthians,
reconhece que carregar o número às costas
não é uma missão simples. “Sempre
me senti cobrado. Se o time perde o jogo, a culpa é
toda do 10. A camisa se tornou sinônimo de futebol
arte”. O meia André Luiz, do Santos, concorda.
“Sinto-me honrado em jogar com a camisa 10 que
foi de Pelé, mas é uma grande responsabilidade”.
Talvez
com medo da pressão da camisa que já foi
de Pelé, Robinho só foi vestir a 10 quando
se transferiu para o Real Madrid – enquanto esteve
na Vila Belmiro, entre 2002 e 2005, ele usou a sete.
Há também craques que, por ironia do destino,
nunca sentiram essa responsabilidade, como Kaká
e o uruguaio Pedro Rocha. Já a 10 que foi do
argentino Tevez, no Corinthians, virou item em liquidação
em todas as lojas – revoltados com a saída
do atleta do Parque São Jorge, os torcedores
não a querem nem pintada de ouro. Outro que ficou
com o filme bem queimado foi o italiano Roberto Baggio.
Quem não se lembra do pênalti perdido na
final da Copa de 1994 contra o Brasil?
Atualmente, esquemas cada vez mais defensivos e prioridade
ao futebol de força têm diminuído
o brilho dos donos das camisas 10. Há até
uma crença de que já não se fazem
mais meias cerebrais como antigamente. Ou você
é capaz de encontrar três meio-campistas
fora-de-série no País? “A falta
de verdadeiros camisas 10 é resultado da falta
de romantismo no futebol”, avalia André.
Já Neto é mais incisivo: “É
culpa dos treinadores que optaram por esquemas táticos
defensivos e que não formam mais jogadores de
divisão de base. Só os criam para vender.”
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