FATTO
OLÉ - Quem é mais você: Rachel Pacheco
ou Bruna Surfistinha?
BRUNA SURFISTINHA - No dia-a-dia sou mais a Bruna Surfistinha.
Ela é quem toma conta do meu tempo. Tenho que
cuidar mais dela, que paga as minhas contas. A Rachel
ainda não tem autonomia, se eu quiser trabalhar
em alguma coisa eu ainda tenho que estudar. E não
tenho tempo para isso. Atualmente me dedico mais à
Bruna Surfistinha.
Você
deu entrevista para o New York Times, a BBC e até
mesmo para a rede árabe Al Jazeera… O livro
vai virar filme...A Bruna Surfistinha não está
indo longe demais?
Está, e eu não esperava esse sucesso.
Tanto que quando lancei o livro aqui no Brasil, em novembro
do ano passado, a primeira edição foi
de 10 mil exemplares e na época eu tinha mais
ou menos 20 mil leitores no blog por dia. Achava que
mais ou menos uns cinco mil leitores poderiam comprar
o livro. E com esse número já estaria
muito feliz. Eu imaginava que sofreria preconceito,
e que a mídia fosse me estigmatizar e depois
me deixar de lado. Mas não é o que está
acontecendo.
Fala sério, você se sente um peixe
fora do aquário?
Têm algumas situações que sim. Por
exemplo, sinto que em algumas entrevistas as pessoas
querem que eu apareça para dar ibope. Elas me
usam. Isso acontece direto nos programas de TV. Às
vezes isso faz até bem pra mim, porque eu consigo
expor um outro lado, o que eu gosto e o que eu sou.
Agora, um peixe fora d’água no sentido
de me sentir diferente de outras pessoas, isso de jeito
nenhum. Mesmo porque eu sei que existem pessoas que
fingem, que se fazem de santas e não existe ninguém
que não tenha cometido nenhum erro na vida.
De garota de programa à dona de casa...
O que mudou na sua vida?
O ritmo. Antes o telefone tocava o dia todo e eu atendia
aos clientes, tinha dia que eu não parava. Eu
não tinha tempo pra algumas coisas simples como
assistir a TV, a um filme, ler um livro, uma revista.
Depois dessa transição a minha vida acalmou
muito.
Se você fosse escrever um dicionário
sobre a vida brasileira, o que diria num verbete, por
exemplo, sobre prostituição?
Prostituição é uma opção
de vida que as mulheres têm. Não vendem
apenas o corpo, porque pra mim não é só
isso, a garota de programa acaba sendo uma amiga, uma
psicóloga . É uma troca de aprendizado
na vida. Eu aprendi muito com meus clientes e eles também
aprenderam muito comigo. Não só sobre
sexo mas com outras coisas na vida. A prostituição
foi uma escola pra mim.
Qual
a importância do sexo na sua vida?
Eu considero o sexo muito importante ainda, embora eu
faça sexo apenas com meu namorado ultimamente.
É claro que a base de uma relação
é o amor e a cumplicidade, mas o sexo faz muita
diferença na relação. Se o sexo
não está bom pro casal, a relação
acaba tendo muitos atritos, da mesma forma que o dinheiro
é muito importante.
Você se considera uma espécie de
ilha da fantasia sexual?
Não sou expert em sexo. Por mais que eu tenha
feito muito sexo por três anos, eu não
sei tudo. Sempre tem alguma coisa que estou aprendendo.
Eu acredito que já tenha visto de tudo entre
quatro paredes, mas quando o assunto é sexo a
mente humana ultrapassa esse mundo.
Na boa, quando os homens pensam em você
hoje, pensam no quê?
Têm alguns que pensam que devo ser vagabunda ou
fútil, que continuo ganhando dinheiro fácil
contando as minhas histórias. Também têm
homens que me elogiam pela minha coragem.
Antes, valorizava-se a tradição.
Hoje, o que se valoriza é a riqueza rápida?
Sim, porque todos sabem que a vida é muito curta,
passa muito rápido. As pessoas querem atingir
o sucesso e a estabilidade financeira para curtir mais
a vida. Porque por mais que as pessoas falem que o dinheiro
não é importante na vida, sem ele ninguém
consegue fazer nada.
Espelho, espelho meu, qual terá sido
a sua maior contribuição para o País?
Foi sempre passar a imagem de que eu aproveito a minha
vida, que eu não tenho medo de realizar as coisas
- como muitas pessoas têm. A vida é curta
e a gente tem que fazer o que tem vontade. Com as mulheres,
minha contribuição foi ajudar. Dei umas
dicas do que os homens gostam, produzi os dez mandamentos
na cama.
Teme a velhice?
Morro de medo. Eu acho a velhice muito triste. Quando
eu vejo um velhinho fico procurando um olhar feliz e
não é fácil de encontrar. Mas ao
mesmo tempo eu vou ser uma velha que curtiu muito a
vida, que sabe que fez tudo o que tinha vontade. Eu
vou morrer feliz.
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| Bruna
Surfistinha joga o jogo da equipe do Fatto Olé |
Faça
um paralelo entre prostituição e andar
de bicicleta (uma coisa que você aprende e nunca
mais esquece).
Cada dia é uma caixinha de surpresas na prostituição.
Eu nunca soube com que tipo de homem estava lidando.
Eu já saí com caras de todos os tipos,
desde assassino de aluguel até celebridades.
Quando você anda de bicicleta é sempre
a mesma coisa, tem que pedalar, segurar o guidão...
Na prostituição não, cada dia a
gente tem que conviver com pessoas diferentes.
Bruna Surfistinha por Bruna Surfistinha.
A Bruna depende da Rachel, mas ao mesmo tempo é
um pouco diferente dela. Ela é mais fria, pensa
mais no dinheiro. A Bruna é mercenária.
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