2006 - EDIÇÃO 53

Ilustração: Gustavo Stojkow
Direção: Juliana Nottoli - Realização: Nathalia Pazini - Fotos: Gustavo Stojkow

Que time você torce?
Sou corintiana roxa. Mas não vou muito para estádio, tenho medo da violência.

O que acha que aconteceria se você passasse numa arquibancada lotada no Morumbi?

Algumas pessoas iam assoviar, outras me xingar...


O Romário quer chegar nos mil gols...e você, chegou aos mil programas?

Eu fiz uma média. Foram mais ou menos mil programas por ano. Fui garota de programa durante três anos, então cheguei a fazer por volta de três mil programas.

Foto: Gustavo StojkowNa tecnologia da gostosura, o bumbum virou um capital com vida própria no futebol?
Todo mundo já ouviu falar sobre menina que é louca para dar pra jogador de futebol só para poder aparecer, são as maria-chuteiras. Teve até uma ex do Ronaldinho, uma loira que escreveu um livro. Eu nunca tinha ouvido falar dela e de repente ela aprece na TV porque foi ex do Ronaldinho. Acho um absurdo.

Você é fominha ou come bola?

(Risos) Eu sou fominha.

Se você jogasse, atuaria em qual posição?
Eu gostaria de ser goleira ou atacante. Quando eu jogava na escola sempre era um dos dois. Como goleira eu era meio frangueira, não pegava muita bola.

O que fez na sua vida, pessoal ou profissional, que considera um gol de placa?

Apertar o botão do foda-se. Ter seguido a minha vida sem me importar se o que estou fazendo é certo ou errado.

Nelson Rodrigues chegou a afirmar que no Brasil futebol é anterior ao sexo. Concorda?
Não, acho que o sexo vem primeiro.

O futebol é uma baita ejaculação precoce?
Eu acredito na força do futebol. É um movimento muito importante. Têm torcedores fanáticos, que não perdem nenhum jogo. É uma questão social.

Na sua opinião, o sexo atrapalha o desempenho dos atletas?
Acho que não. Quando eu transo com meu namorado, acordo superdisposta, o meu dia fica melhor. E para jogador de futebol não deve ser diferente, acho que até faria bem porque o sexo relaxa.

Foto: Gustavo StojkowQual o boleiro mais bonito do mundo?
O Beckham.

Se, numa acaso digno de novela, você encontrasse o Beckham num saguão de aeroporto, o que diria para ele?
Falaria que ele é lindo e que eu gostaria de ver uma partida dele de perto.

Depois da fama, apareceu muito boleiro atrás de você?
Eu já saí com dois jogadores. Teve um inclusive, que a situação ficou superchata porque eu não o reconheci. Eu não conheço muito os jogadores, a não ser os do Corinthians. Ele me ligou, não falou nada, a gente se encontrou, o programa rolou e quando ele saiu do banho ele perguntou porque eu não tinha falado nada. Aí eu disse: "Mas, nossa, quem é você?”. Ele se apresentou e tal, percebi que ele ficou assustado porque ele devia estar acostumado a ser parado na rua e ser assediado.

Bruna, o Edmundo (craque do Palmeiras) quer saber: “Você garante que nunca mais voltará à prostituição? É possível cuspir pra cima?”
(Risos) Eu garanto que não voltaria. Foi uma fase da minha vida que eu tinha que ter passado, enfrentei numa boa. É uma página não totalmente virada porque eu ainda vivo dessa história e eu não posso esquecer disso tudo. E afinal, isso foi o que mais marcou na minha vida, uma coisa que passei e que não passaria de novo. Mas vou morrer lembrando que um dia fui garota de programa.

Foto: Gustavo StojkowPerguntinha do meia Cléber, da Lusa: “Qual é a maior tristeza de uma garota de programa?”
É ser muito sozinha. Geralmente as histórias são diferentes e quando o assunto é família, o problema das garotas de programa é o mesmo. Elas não têm apoio nenhum familiar.

Direto do Corinthians, o goleiro Marcelo rola a bola: “De onde você tirava fôlego para ficar com seu namorado após um dia sufocante de trabalho?”
Sexo por dinheiro é completamente diferente de sexo por amor. Eu podia fazer até oito programas por dia, mas quando eu lembrava que ia fazer sexo por amor eu arrumava fôlego.

Souza, do São Paulo: “Qual foi o programa mais rentável que já fez?”
Eu já ia parar de fazer programa, no penúltimo dia teve um cliente que ficou quatro horas comigo e pagou R$ 1.800.

Se você fosse publicar um anúncio no jornal, qual mensagem mandaria para os 35 mil leitores do Fatto Olé?
Nunca desista dos seus sonhos e bola pra frente.

Ilustração: Gustavo Stojkow