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A
lista de mulheres que sonham em ser casadas com jogadores
de futebol é enorme. Há até a conhecida
classe das maria-chuteiras, formada por interessadas
em pegar uma carona na fama e na grana dos boleiros.
Mas a realidade daquelas que trocaram alianças
com atletas é, em geral, bem menos glamorosa
e feliz do que se imagina.
Ouvidas pelo Fatto Olé, muitas
donas dos corações de ídolos de
São Paulo, Inter, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro
e Palmeiras reclamam. E como reclamam. Solidão,
mudanças de endereço e infidelidade são
as situações que mais causam tristeza
nelas. “O grande problema é que o marido
delas quase nunca está em casa”, reconhece
o ex-gerente de futebol da MSI, Paulo Angione.
Nos tradicionais almoços de família aos
domingos, eles são ausência certa. Afinal,
domingo é dia de jogo. E não é
só: se há um programa para sábado
à noite, descarte ter a companhia do amado, já
que as concentrações acontecem, pelo menos,
24 horas antes de cada partida. “A gente sofre
de saudade”, admite Amanda, companheira de todas
as horas do zagueiro são-paulino Fabão.
Por
causa de jogos, concentrações e demais
atividades ligadas ao futebol, a boleirada quase não
pára em casa. “Hoje tem jogo em Recife,
no domingo vamos a Presidente Prudente e uma semana
depois vai saber onde estaremos”, lamenta o meia-atacante
Marcinho, citando a maratona enfrentada pelo seu Palmeiras.
“Às vezes acho que sou uma visita na minha
própria casa”, brinca o meia Carlos Alberto,
do Corinthians.
Endereço fixo?
Não exija que uma mulher de boleiro
lembre de cabeça o nome da rua onde mora, o bairro,
tampouco o CEP. No futebol atual, há jogadores
que mudam de clube até cinco vezes numa mesma
temporada. O atacante Luizão é um ótimo
exemplo. Atualmente no Flamengo, ele já carregou
a mulher e os filhos para Santos, São Paulo,
Japão... A esposa de Luizão revelou a amigas
que não agüenta mais esse vai-e-vem.
As conseqüências das constantes mudanças
são trágicas. Longe dos pais e do marido,
elas se vêem sem amigas e completamente isoladas
de tudo. Muitas acabam entrando em depressão,
enquanto várias outras pedem o divórcio.
Há ainda aquelas que reclamam tanto da situação
que acabam infernizando os maridos. “O divórcio
é bastante comum no meio do futebol”, avalia
o técnico Tite. O lateral e volante Rogério,
agora do Fluminense, já está no quarto
casamento.
Dois outros fatores contribuem para as separações:
o primeiro é o fato de várias uniões
começarem quando o casal é ainda muito
novo; e o segundo se dá pela infidelidade da
parte masculina. São raros os jogadores capazes
de resistir à aventura com marias-chuteiras.
Apontado como uma das revelações do Brasileirão,
o atacante Marcelinho, do São Caetano, casou
com 17 anos. O meia Élson, do Cruzeiro, foi além:
ele trocou alianças pouco depois de completar
16 anos.
Nesse meio em que a imagem nem sempre corresponde à
realidade, mais felizes são as mulheres dos craques
do Paraná. Por decisão do técnico
Caio Júnior, foi criado no clube um departamento
social voltado apenas a elas. Lá há atividades
para todos os gostos: desde malhação,
passando por artesanato, tricô e cursos profissionalizantes.
“Além de ocuparem a cabeça, isso
tudo serve para integrá-las. Elas mais felizes
deixam meus jogadores mais felizes, e o time rende mais”,
explica o treinador, que comanda uma das campanhas mais
surpreendentes do Brasileirão.
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