Da
pacata cidade de Porto Feliz para a megalópole
Nova Iorque. Essa é apenas uma das inúmeras
e radicais mudanças às quais Adhemar deverá
passar nos próximos meses. O ex-atacante do São
Caetano, um caipira assumido, está a um teste
de se tornar jogador de futebol americano. No início
do próximo ano ele já deverá estar
morando nos EUA e encarando os bruta-montes no esporte
da bola oval.
“O pior é que não sou muito chegado
em hambúrguer”, admite o atleta, que abandonou
o futebol há dois meses. “Também
não falo nada em inglês, mas acho que consigo
me virar se me arranjarem um tradutor 24 horas por dia”,
acrescenta Adhemar, sem esconder a fala arrastada e
o sotaque de interiorano.
A explicação para a intenção
dele de largar a mordomia que tem em sua fazenda é
a bolada que pode faturar numa única temporada
nos EUA. “O maior salário que ganhei durante
toda minha carreira como jogador não chega nem
perto do que posso faturar como kicker”, justifica
o principal artilheiro da história do Azulão,
com 68 gols marcados. “Ainda não sei exatamente
quanto embolsaria, mas seria dinheiro que não
acabaria mais.”
O melhor de tudo é que Adhemar não terá
de se sujeitar àquelas trombadas violentas comuns
no futebol americano. “Quando me perguntaram se
eu topava trocar de esporte, levei um susto. Como sou
um cara baixo, e nada musculoso, me imaginei trombando
com os gigantes. Seria a mesma coisa que estar parado
em plena via Dutra, sendo atropelado por um caminhão
enorme”, conta, para em seguida dar boas gargalhadas.
O pânico só foi desfeito quando o empresário
americano que o procurou colocou os pingos nos “is”.
“Ele disse que queria fazer de mim o chutador
de algum time. Minha missão é mais simples:
eu entro no jogo umas cinco ou seis vezes, apenas para
dar uns bicões na bola, com o objetivo de acertar
aquele gol deles em formato de garfo.”
Empolgado, o caipira gente-boa tratou de começar
a treinar. Comprou uma bola de futebol americano e convocou
os amigos e os vizinhos para lhe ajudar nos chutes em
sua própria fazenda. “Já nas primeiras
batidas percebi que era teta (fácil). Precisei
de poucas tentativas para alcançar 50 jardas”,
relembra Adhemar. “Se eu colocava a bola no ângulo
do Maracanã, chutando do meio da rua, por que
não iria conseguir acertar um espaço daqueles
do gol americano?”.
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