2006 - EDIÇÃO 52

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OS TRAPALHÕES
Ilustração: Renato PradoYo, o comentário de hoje não é meu. E não é por causa da ressaca política, nem para botar ordem nas favelas. Muito menos para dar um bico no analfabetismo. Nesta republiqueta dominada pela angústia e incerteza, o futebol superou os limites das organizações Tabajara! Humor negro em câmera lenta. Por tudo isso, as minhas palavras inventivas são de Didi Mocó. O que ele diria desta situação? Ele diria: “Psiti, será que o Zagallo votou 13? Sei lá, há-há-há, tanto faz... Putz, entre boleiros metrossexuais, caretas e ladrões, galinhas ciscando, bundões e silicones, gol de gandula, árbitros sonsos, joguinhos patéticos e cartolas patetas, o esporte bretão virou uma comédia dramática cercada de burrice num anel de velhos erros. O campo parece um picadeiro gramado. Ô da poltrona, fala sério, tá ficando difícil que o caneco não vá para o Morumbi após uma década e meia. Ué, os outros times brincam de refazer o que o São Paulo desfaz. Ahhh, o campeão pra mim é óbvio. E o Brasileirão se transformou mesmo numa piada de frases feitas. Onde está Robinho, onde está Mussum, onde está Kaká, onde estão todos? Pelamordedeus, venham nos salvar!”.
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Ilustração: Aline Annunciato   Ilustração: Renato Prado