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“Se
concentração ganhasse jogo, o time dos
monges beneditinos era campeão”, disse
certa vez o jornalista João Saldanha. O Fatto
Olé pulou o muro e invadiu um dos assuntos
mais polêmicos do futebol: a concentração.
Deixar uma legião de jogadores trancafiados na
véspera das partidas funciona ou é mais
uma balela?
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Concentração
do Santos no CT Rei Pelé |
Antes
de mais nada, é preciso fazer algumas revelações.
Se tempos atrás os boleiros tinham que fugir
de hotéis e escapar de seguranças para
driblar a concentração, hoje tal sacrifício
é desnecessário graças à
internet. Um exemplo? Com a ajuda de MSN e webcams,
muitos craques conseguem quase tudo. Basta um pouco
de xaveco e eles passam horas se divertindo com meninas
fazendo strip-tease do outro lado do computador. Se
o intuito era poupar hormônios, eis uma tentativa
frustrada.
Segundo estudo da Unesp (Universidade Estadual Paulista)
feito com jogadores profissionais, existem alguns apontamentos
positivos para a concentração como: união
de pensamentos do grupo, cumprimento de regras, preparo
psicológico e definição de objetivos.
O atacante palmeirense Edmundo é um dos defensores
da concentração. “Esse é
o momento em que eu como no horário certo e descanso.
Para mim, é sagrada”.
O ex-corintiano Neto, que hoje atua como comentarista
da TV Record e da Rádio Transamérica,
só é contra a reclusão dos atletas
por mais de três dias. “Os treinadores fazem
isso normalmente quando o time está perdendo muito.
Desta maneira tentam colocar a culpa nos jogadores”,
avalia Neto.
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Campos
de treino e instalações do CT do
São Paulo na Barra Funda
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O
mesmo estudo traz ainda aspectos negativos. São
eles bagunças, brigas pelo excesso de tempo recluso
e desunião. Craque da Seleção na
Copa de 1982, o médico Sócrates sempre
se mostrou contra. “A concentração
é mais uma conduta paternalista que persiste,
levando a uma perda de motivação, porque,
estando os jogadores distantes de seu habitat natural,
o sentimento corrente é de sonolência,
mau humor e relaxamento, que em nada favorecem suas
performances”.
A fim de racionalizar custos, São Paulo e o Santos
investiram pesadamente na construção de
hotéis próprios. Nos centros de treinamento
dos dois clubes, há uma estrutura montada para
receber até 25 atletas, com todo o conforto do
mundo. “Os grandes times devem sim investir nesse
setor. O Corinthians e o Palmeiras, por exemplo, gastam
horrores com hospedagem, comida...”, explica Neto,
com o respaldo de já quem foi dirigente - ele trabalhou
como diretor de futebol do Guarani em 2002.
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Neto
defende a concentração nas vésperas
dos jogos
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A
cultura no exterior é bem diferente. Até
o pequeno Le Mans, da França, já adota
a concentração apenas nos jogos como visitante.
“Quando a partida é em casa, a gente só
se encontra no estádio, duas horas antes da partida”,
revela o ex-são-paulino Grafite. Desta maneira,
o Le Mans seria o clube dos sonhos do baixinho Romário,
que acredita que a concentração é
inútil. “Você só encontra
os outros jogadores na hora da refeição
e na preleção. Ela só serve pra
impedir que o atleta caia na farra”.
Hexacampeão mundial com a Seleção
masculina de vôlei, Bernardinho permite que seus
jogadores levem as mulheres para a concentração
e acredita que o método poderia funcionar no
esporte bretão. “Muitas vezes a concentração
do futebol é um álibi para o jogador escapar.
Fugir de casa é difícil, mas na concentração
é mole. Dá para ele poder fazer suas bagunças”.
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