 |
|
Assunção
dribla atleta do Liverpool em jogo pela Liga dos
Campeões de 2005
|
Fora
do Brasil há oito anos, o volante Marcos Assunção
é um cara que sabe viver bem. Maior estrela do
Betis, o ex-jogador de Santos e Flamengo pôde
realizar na Espanha o sonho de ter os carros mais possantes
e belos do mundo. E olha que o jogador carrega essa
pretensão desde a infância, enquanto crescia
em meio a muita pobreza e violência pelas ruas
de Caieiras, município da Grande São Paulo.
Depois de cinco anos de contrato com o Betis e outros
três em que defendeu a Roma, Marcos Assunção
conseguiu dinheiro suficiente para montar uma coleção
de supermáquinas, que incluem uma Ferrari e o
novíssimo Porshe 911 Turbo. “Sou alucinado
por carros e adoro vários modelos”, revela
o brasileiro, que veste a camisa 20 do clube verde e
branco. “Quando era pequenininho, já olhava
admirado para os carrões que passavam. Agora
faço de tudo para levar eles para minha garagem.”
O atleta que já vestiu a camisa da Seleção
Brasileira 11 vezes é do tipo de colecionador
cuidadoso. “Eu zelo mesmo. Deixo sempre limpinho,
sem nenhuma marquinha. Se acontece de sujar, mando lavar
na hora ou eu mesmo pego um pano e resolvo”, diz
o brasileiro, de 30 anos. Só não peçam
dicas a Assunção em relação
à mecânica. “Aí sou um zero
à esquerda. Se o carro tiver algum problema na
rua, sou obrigado a chamar qualquer especialista para
consertar.”
 |
|
Volante
comemora gol com Ricardo Oliveira
|
Além
de ocupar o tempo cuidando de seus possantes e jogando
bola, o volante está se especializando em bancar
o guia de brasileiros recém-chegados à
Europa. “Foi assim com Ricardo Oliveira, Edu,
Diego Tardelli, Robert e ultimamente com o Rafael Sobis
e o Jorge Wagner”, conta. “É sempre
um choque sair do Brasil e encontrar um país
diferente, com outros costumes, línguas... Eu
enfrentei isso em 1999, na Roma, e tive a ajuda do Cafu,
do Aldair e do Antônio Carlos. Agora procuro repetir
o tratamento.”
O último a ter tal “ajudinha” foi
Jorge Wagner, campeão da Taça Libertadores
com o Inter, em agosto. “Ele desembarcou num dia
e no outro já treinaria. O pior é que
estava sem chuteiras e não tinha a menor idéia
de onde comprar em Sevilha”, lembra Assunção,
para em seguida explicar a solução. “Coloquei
ele no meu carro e saímos para dar uma volta.
Fui mostrando lojas que podem ser úteis e o levei
num lugar onde sempre compro coisas de material esportivo”.
Pronto, dor de cabeça resolvida.
 |
|
Ele
defendeu a Roma entre 1999 e 2001
|
Durante
tantos anos ciceroniando craques brasileiros, Marcos
Assunção guarda boas recordações
dos amigos que fez. “O Ricardo Oliveira é
um cara sensacional, com quem me dei muito bem. Também
adorei a convivência com o Edu”, revela.
Apesar da fama de baladeiro, Diego Tardelli se manteve
na linha enquanto atuou no Betis, nos primeiros seis
meses do ano. “Falavam um montão de coisas
do Tardelli, mas ele ficou sussegadinho por aqui. Trouxe
a noiva e não teve problema com saídas
noturnas.”
Alheio a badalações, o volante adora ficar recolhido
em casa. E para fugir da agitação, comprou sua residência
bem afastada do centro de Sevilha. Lá ele se refugia
ao lado da mulher e da filha de três anos do calor de
até 45º C que costuma fazer nas tardes de verão. "Estou
sempre vendo algum filme ou lendo. O último livro que
li foi 'Falcão - Meninos do Tráfico', que conta uma
realidade triste e dura de meninos que vivem na periferia,
como a minha", compara.
|