2006 - EDIÇÃO 50

Curtindo a vida adoidado
Por Jorge Nicola
Assunção dribla atleta do Liverpool em jogo pela Liga dos Campeões de 2005

Fora do Brasil há oito anos, o volante Marcos Assunção é um cara que sabe viver bem. Maior estrela do Betis, o ex-jogador de Santos e Flamengo pôde realizar na Espanha o sonho de ter os carros mais possantes e belos do mundo. E olha que o jogador carrega essa pretensão desde a infância, enquanto crescia em meio a muita pobreza e violência pelas ruas de Caieiras, município da Grande São Paulo.

Depois de cinco anos de contrato com o Betis e outros três em que defendeu a Roma, Marcos Assunção conseguiu dinheiro suficiente para montar uma coleção de supermáquinas, que incluem uma Ferrari e o novíssimo Porshe 911 Turbo. “Sou alucinado por carros e adoro vários modelos”, revela o brasileiro, que veste a camisa 20 do clube verde e branco. “Quando era pequenininho, já olhava admirado para os carrões que passavam. Agora faço de tudo para levar eles para minha garagem.”

O atleta que já vestiu a camisa da Seleção Brasileira 11 vezes é do tipo de colecionador cuidadoso. “Eu zelo mesmo. Deixo sempre limpinho, sem nenhuma marquinha. Se acontece de sujar, mando lavar na hora ou eu mesmo pego um pano e resolvo”, diz o brasileiro, de 30 anos. Só não peçam dicas a Assunção em relação à mecânica. “Aí sou um zero à esquerda. Se o carro tiver algum problema na rua, sou obrigado a chamar qualquer especialista para consertar.”

Volante comemora gol com Ricardo Oliveira

Além de ocupar o tempo cuidando de seus possantes e jogando bola, o volante está se especializando em bancar o guia de brasileiros recém-chegados à Europa. “Foi assim com Ricardo Oliveira, Edu, Diego Tardelli, Robert e ultimamente com o Rafael Sobis e o Jorge Wagner”, conta. “É sempre um choque sair do Brasil e encontrar um país diferente, com outros costumes, línguas... Eu enfrentei isso em 1999, na Roma, e tive a ajuda do Cafu, do Aldair e do Antônio Carlos. Agora procuro repetir o tratamento.”

O último a ter tal “ajudinha” foi Jorge Wagner, campeão da Taça Libertadores com o Inter, em agosto. “Ele desembarcou num dia e no outro já treinaria. O pior é que estava sem chuteiras e não tinha a menor idéia de onde comprar em Sevilha”, lembra Assunção, para em seguida explicar a solução. “Coloquei ele no meu carro e saímos para dar uma volta. Fui mostrando lojas que podem ser úteis e o levei num lugar onde sempre compro coisas de material esportivo”. Pronto, dor de cabeça resolvida.

Ele defendeu a Roma entre 1999 e 2001

Durante tantos anos ciceroniando craques brasileiros, Marcos Assunção guarda boas recordações dos amigos que fez. “O Ricardo Oliveira é um cara sensacional, com quem me dei muito bem. Também adorei a convivência com o Edu”, revela. Apesar da fama de baladeiro, Diego Tardelli se manteve na linha enquanto atuou no Betis, nos primeiros seis meses do ano. “Falavam um montão de coisas do Tardelli, mas ele ficou sussegadinho por aqui. Trouxe a noiva e não teve problema com saídas noturnas.”

Alheio a badalações, o volante adora ficar recolhido em casa. E para fugir da agitação, comprou sua residência bem afastada do centro de Sevilha. Lá ele se refugia ao lado da mulher e da filha de três anos do calor de até 45º C que costuma fazer nas tardes de verão. "Estou sempre vendo algum filme ou lendo. O último livro que li foi 'Falcão - Meninos do Tráfico', que conta uma realidade triste e dura de meninos que vivem na periferia, como a minha", compara.