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Conversa
de pescador? Não, conversa de boleiro. No futebol
do Brasil e do mundo existem todos os tipos de mentira:
sinceras, com ou sem intenção, descaradas,
deslavadas, cínicas. O Fatto Olé
trouxe as maiores lorotas do planeta bola para você
rir, chorar, desacreditar, mas nunca perder a paixão
pelo esporte bretão.
O que não falta são os famosos “causos”.
Quem não se lembra da história de Rui
Rei, atacante da Ponte Preta que foi acusado de ter
provocado sua própria expulsão para favorecer
o Corinthians na final do Campeonato Paulista em 1977?
A única confirmação que se tem
até hoje é que o jogador foi desestabilizado
psicologicamente minutos antes do jogo. Verdade?
E essa: Dé Aranha, então atacante do Bangu
em 1969, garante ter feito um gol graças a uma
ajuda um tanto quanto inusitada. “Peguei uma pedra
de gelo que estava chupando e atirei na bola. O Reyes,
zagueiro do Flamengo, não esperava pelo desvio
da bola e ficou feito barata tonta. Então invadi
a área, driblei o goleiro e fiz o gol".
Alguém duvida?
“As
lendas acrescentam no futebol pelo folclore do esporte
como espetáculo”, avalia o jornalista e
comentarista da ESPN Brasil, Celso Unzelte. Em 1989,
num jogo entre Brasil e Chile, o goleiro chileno Rojas
resolveu dar uma de ator. Ao notar que um rojão
caiu próximo a ele, no gramado, Rojas não
pensou duas vezes e tirou de dentro de sua luva uma
lâmina, cortando a própria testa para fingir
que foi atingido. E não é que a farsa
quase deu certo. A ponto de a partida ter sido cancelada.
Porém pouco depois Rojas foi desmascarado e punido
com uma suspensão de dois anos, imposta pela
Fifa. “Foi um corte à minha dignidade.
Tive problemas em casa, com minha mulher. Meus amigos
me deram as costas... Se fosse um argentino, uruguaio
ou brasileiro, não teria sido suspenso.”
A questão é: quem carrega uma lâmina
na luva em um jogo de Eliminatória da Copa?
Para Zizinho, craque mundial na década de 60,
a grande mentira do futebol foi dita em uma entrevista
que Parreira deu em 1996. “Ele veio com uma história
de que o sistema 4-3-3 era do Zagallo. Na verdade, foi
criado em 1945 pelo uruguaio Ondino Vieira, que foi
técnico do Vasco”. Parreira pego na mentira!
Já para Tostão, maior artilheiro da história
do Cruzeiro e cronista esportivo atualmente, a lorota
mais pesada é a política do futebol. “Estes
escândalos que estamos vendo e todas estas mentiras
são reflexo do continuísmo que existe
no futebol”, aponta. “A gente precisa de
uma mudança na política, de novas mentalidades”.
Difícil discordar. Afinal, o ex-árbitro
Edílson Pereira de Carvalho está aí
para comprovar. Edílson quase acabou com o Brasileirão
do ano passado porque todos os 11 jogos que apitou foram
anulados, lembra? O cara manipulava resultados para
favorecer apostadores de loterias clandestinas na internet.
Existem também os personagens-mentiras do futebol.
São aqueles que davam toda a pinta de que fariam
grande sucesso, mas não vingaram. Promessas como
Arinelson, a quem Luxemburgo atribuía o rótulo
de novo Pelé santista, ou Adriano, meia que brilhou
com a camisa da Seleção em todas as categorias
de base, mas nunca se firmou no São Paulo, no
Guarani e em todos os outros clubes que jogou. Fora
os boleiros que viraram lorotas internacionais, por
nunca se adaptarem ao jogo fora do Brasil. Viola e Marcelinho
Carioca são bons exemplos.
Até a Copa está na mira das grandes mentiras:
o Mundial de 1998 foi mesmo vendido para a Nike? E a
Copa de 2006? “A grande mentira foi todo mundo
fazer de conta que um time que não jogava junto
há três meses podia ser favorito absoluto”,
afirma Unzelte. “Foi a mentira da falta do profissionalismo”.
Quer mais uma lenda? Amor de Maria Chuteira, mas isso
é assunto para outra discussão.
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