Ele
raramente aparece, fica longe dos holofotes, quase sempre
trabalha de graça, mas desempenha função
vital para o futebol. Estamos falando do olheiro, nome
dado ao responsável por encontrar meninos com
talento nos campos de várzea espalhados pelo
País. O que seria de Pelé se não
fosse Waldemar de Brito, que o encontrou em Bauru? Ou
de Robinho se não fosse Betinho? É bem
provável que com o talento que têm, os
dois ex-santistas acabariam virando jogadores. Mas esse
processo poderia levar mais tempo.
Atualmente,
há olheiros de diversas classes. A primeira é
a formada pelos mais humildes. São aqueles que
um dia já foram profissionais, ainda que sem
sucesso, e agora moram em cidades pequenas, e no interior
dos Estados. A missão deles é acompanhar
os campeonatos amadores e que reúnam jovens,
em busca de talentos. Aí, indicam para os clubes
em troca de uma “gorjeta”.
Os grandes times de São Paulo e Rio de Janeiro
têm uma rede de olheiros espalhada por todo o
País. “A gente está sempre em contato,
em busca de atletas que venham para reforçar
nossas categorias de base ou até o elenco principal”,
explica o presidente do Santos, Marcelo Teixeira.
A segunda categoria de olheiros é mais sofisticada.
Trata-se de pessoas que trabalham no dia-a-dia de um
clube e, entre suas tarefas, está a de ficar
antenado aos jogadores promissores. Um exemplo é
Milton Cruz, que está no São Paulo há
mais de cinco anos. Além de auxiliar-técnico,
ele tem a incumbência de acompanhar as “revelações”.
“Passo o tempo inteiro vendo futebol. De manhã,
de tarde, de noite. Se a TV estiver mostrando uma partida
de futsal, pode ter certeza que vou parar para dar uma
olhada”, afirma Milton.
O olheiro tricolor foi o responsável, entre outras,
pelas contratações do atacante Luís
Fabiano, do zagueiro Rodrigo e do lateral-direito Cicinho.
“A gente fica antenado em tudo e põe para
funcionar a rede de amigos que conquistamos no futebol”,
acrescenta Milton Cruz, admitindo que muitas vezes liga
para técnicos e jogadores constantemente. “Consegui
acertar com o Amoroso, no ano passado, depois que o
atacante Luizão me disse que ele estava sem clube”,
lembra. “Também descobri o André
Dias graças ao Vélber, já que eles
haviam atuado juntos no Paysandu.”
Por sua vez, o Coritiba conta desde o mês passado
com Will Rodrigues, contratado apenas para coordenar
a rede de olheiros do clube. Assim, diante de qualquer
necessidade da comissão técnica, Will
aciona seus espiões e apresenta as opções.
Top de linha – A terceira classe de olheiros
é privilégio para poucos. Esses sortudos
são pagos, e muito bem, pelas superpotências
do futebol estrangeiro para “pinçar”
as pérolas do futebol brasileiro. Luís
Pereira é o olheiro do Atlético de Madrid,
da Espanha. Já o ex-zagueiro Marcelo Djean atua
como observador do Lyon em toda a América do
Sul. “A cada dois meses, envio um relatório
com a ficha completa dos atletas que mais me chamaram
a atenção”, revela.
Djean anda com moral. Das últimas seis indicações,
cinco vingaram fortemente. “Fui eu quem levou
Juninho Pernambucano, Caçapa, Edmilson, Cris,
Fred e Nilmar”, conta, sem esconder a empolgação.
Destes, só o Nilmar não ficou no clube,
mas já valeu o investimento, porque foi comprado
pelo Corinthians por um valor mais alto.
RECOMENDAÇÕES PARA OS PAIS
Para escapar da malandragem de alguns olheiros e de
outros empresários de futebol, o Fatto Olé
elaborou uma cartilha com dicas aos pais que querem
fazer de seus filhos verdadeiros craques.
1º - nunca dê dinheiro a empresários,
em troca da promessa de que seu filho fará algum
teste. “Se o garoto é bom, mais cedo ou
mais tarde encontrará um lugar para jogar”,
avisa olheiro Marcelo Djean.
2º
- não acredite em promessas de contratos maravilhosos
em países no exterior. “Se seu filho nunca
jogou por um time grande e surge alguma chance de ele
ir para fora, ganhando milhões, desconfie”,
alerta o empresário Bernardo, ex-jogador.
3º
- é vital que você acompanhe seu filho
sempre que puder, para passar segurança, orientá-lo
e ajudá-lo.
4º
- orientar seu filho para que nunca assine qualquer
papel em branco. Há casos em que empresários
usaram assinaturas para redigir contratos com duração
longa.
5º
- evitar ter empresários antes de completar
18 anos, ou se tornar profissional.
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