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Fatto Olé encarou a fera. Fez
as perguntas que ninguém nunca teve coragem e
descobriu que, por trás da máscara de
bad boy, existe um cara com um grande coração.
Suas dúvidas sobre a vida de um dos jogadores
mais importantes e polêmicos da história
do futebol brasileiro acabam aqui. Nesta entrevista
exclusiva, realizada no CT do Palmeiras, Edmundo se
entregou de corpo e alma.

Sem o rótulo
de Animal, quem é o verdadeiro Edmundo?
As pessoas ficariam espantadas se me conhecessem de
verdade. Surpresas. Gostaria muito que os brasileiros
olhassem para mim de uma forma diferente, que me conhecessem
fora do campo. Sou um cara que não ligo para
nada, não tenho vaidade, como em qualquer lugar,
durmo em qualquer lugar, embora tenha a oportunidade
de ter sempre as coisas boas. Sou um cara super tranqüilo,
nada agressivo, tímido pra caramba, embora depois
que eu me solte, que estiver no meu ambiente, vou tomar
conta. Mas jogando eu me transformo.
Explique melhor
essa transformação?
Dentro do campo, não consigo falar “meu
querido, vem cá”. Impossível. Na
hora agá, é “vamos porra, corre”.
Talvez meu maior defeito é querer ganhar sempre.
A opinião
pública sempre foi muito cruel com você?
Não quero culpar ninguém, sempre fui muito
autêntico e isso no futebol é uma merda.
Porque vai de encontro a algumas opiniões. Sempre
procurei ser muito honesto, mas não gostava quando
as pessoas eram desonestas comigo. Também sou
muito leal e lealdade no futebol não existe.
Acabei sendo rotulado de uma maneira negativa. Agora
quero mudar minha imagem, pois meus filhos estão
crescendo, lendo, escrevendo... Então quero deixar
um bom exemplo para eles.
Os brutos
também choram?
Não me vejo como um bruto. Sou dócil,
um cara superemotivo e choro por qualquer coisa. Choro
indo para o treino, enquanto escuto uma música,
choro quando falo com meus filhos pelo telefone. Esses
dias meus filhos falaram: “pai não esquece
de mim não” porque eu fiquei uns 15 dias
sem poder ir para lá. Às vezes a gente
não percebe a falta que faz.
As palestras
do Tite também lhe emocionam?
Ele é um técnico sensacional. Você
vê os olhos dele brilhando nas preleções.
Numa delas, estávamos há oito jogos sem
vencer e o Tite colocou para ouvirmos a música
“Dias melhores”, do Jota Quest. Pô,
o grupo inteiro ficou motivado pra caramba porque tinha
tudo a ver com o momento em que a gente estava passando,
era tudo o que gente precisava.
Está
na hora de começar a levantar o astral, se não
vamos acabar chorando... Você ainda faz sucesso
com a mulherada?
Eu saía demais, agora eu saio de menos. Tenho
muito prazer de ficar em casa. E para essas coisas acontecerem,
você tem de estar onde elas estão, né?
Estou namorando, e agora vivo mais sossegado. Falo pra
ela que ela é uma felizarda, pois me pegou numa
fase tranqüila.
Você
aceitaria posar nu por um cachê milionário?
Fala aí seu preço.
Não, sai fora. De jeito nenhum, por cachê
nenhum.

Para você,
futebol é anterior ao sexo?
Acho que tem hora pra tudo. Eu amo mulher, adoro mulher,
penso nelas o tempo todo, mas a concentração
é coisa séria. Sem demagogia nenhuma mesmo.
Meu trabalho tem hora pra começar e para acabar.
Se o treinador me perguntar se eu fui para uma boate
na hora da folga, mando ele ir à merda. A vida
é minha e eu faço o que eu quiser. Se
fizer na hora certa, dá pra fazer bem os dois:
futebol e sexo.
Mas tem hora
que a balada atrapalha.
O Renato Gaúcho que o diga. Ele me contou um
dia desses no Rio que só perdeu a final Copa
do Brasil porque três jogadores mais novos f...
com ele, porque tinham caído na gandaia antes
da decisão. Aí eu olhei pra ele rindo
e falei: mas logo você, Renato, que vivia curtindo
a noite.
Abre o jogo:
tem muita biba no futebol?
(Risos) Essa é uma coisa complicada. No amador
a gente ouvia falar direto que tinha, mas no profissional,
não. Dizem que tem um aqui, outro ali. Mas acho
que não, porque se não muita gente iria
ficar sabendo uma hora ou outra.
MPB, rock,
pagode ou samba. Que música você ouve?
Eu gosto de rap. De Racionais. Mas sou muito eclético.
Ouço de tudo. Gosto de música boa. Se
estiver tocando MPB ou pagode legais, eu vou parar e
ficar ouvindo do mesmo jeito. Até música
da Bahia acho maneira pra caramba.
Churrasco,
massa ou sashimi?
Depende da hora. Não sou muito chegado à
carne, mas se você me chamar pra ir na tua casa
pra comer uma macarronada num domingo e se um amigo
me chamar pra ir num churrasco, eu vou no churrasco,
por causa do agito da galera. Depende da ocasião.
No dia-a-dia prefiro massa.
Ed, um conselho
aos jovens.
Não sou de dar conselhos, porque eu fiz tudo
errado. Mas o engraçado é que os mais
novos, principalmente aqui no Palmeiras me ouvem. O
Francis, por exemplo, está sempre me pedindo
algumas dicas. Eles se aproximam e estou sempre pronto
para ajudar, na medida do possível.
E o futuro?
Foi
um puta alívio renovar com o Palmeiras até
o fim do ano que vem. Meus dias ficaram até mais
calmos. Vou encerrar a carreira no lugar em que queria.
Depois, não sei. Com certeza não vão
me deixar ser dirigente, porque a estrutura do futebol
brasileiro é muito arcaica e aqueles que estão
no poder morrem de medo de perder a boquinha. Por isso
quase não temos ex-atletas trabalhando nos clubes.
Também acho que eu não agüentaria
ser técnico, porque não tem folga nunca.
É viagem, concentração, pressão
por resultado... Já devo ter trabalhado com uns
30 técnicos na minha carreira, e baseado nisso,
tenho certeza de que seria um bom treinador. Mas quero
viver um pouco mais meus filhos, minha família...
Animal, qual
seu animal predileto?
Não gosto de bichos (risos). Quando eu era casado,
tinha dois cachorros em casa, mas sempre fui contra.
Preferia adotar duas crianças, porém jamais
faria mal pra qualquer animal.
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