Ela
revolucionou o futebol. Não que tenha marcado gols,
feito a alegria de torcidas, ou coisa do gênero.
Mas a bandeirinha Ana Paula de Oliveira mostrou que a
mulher também tem vez no futebol. Com um charme
fora do comum, a paulista de Hortolândia hoje é
a grande musa dentro das quatro linhas. Nesta entrevista
exclusiva para o Fatto Olé, ela revela que
está solteira e fala sobre assédio, ciúme,
jogadores bonitos, confusões por conta de sua bandeira,
arbitragem e muito mais. Aproveite.
FATTO
OLÉ: Você se considera a Miss Brasil do Futebol?
ANA PAULA DE OLIVEIRA: Não, deixo esse título
para outras meninas bem mais bonitas do que eu. Me considero
uma mulher normal e acabei chamando a atenção
pela minha profissão. Se não fosse árbitra
assistente, passaria despercebida.
Será? Mesmo com esse corpão?
Ah, sei lá. Cheguei a receber um convite para ser
modelo quando tinha 15 anos. Mas eu tinha 15 anos, né?
O que eu faço é tentar cuidar do meu corpo
com treinos regulares, cinco dias por semana. Faço
duas horas de atividade diária, sendo metade de
musculação e outra metade correndo.
Existe muito João-chuteira no futebol?
(Longos risos) Sabe que não sei. Acho que não.
As Marias-chuteiras são maioria absoluta. Até
acontece assédio, cantada... Mas elas ainda têm
a força e dominam o mercado do xaveco.
Qual o melhor árbitro do país?
Humm, que pergunta. Assim você me coloca num dilema.
Temos grandes árbitros, mas no momento os melhores
são o Leonardo Gaciba e o Sálvio Espínola
Fagundes Filho.
E o pior?
Não tem essa de árbitro pior. O que acontece
é que um árbitro pode estar numa tarde mais
infeliz. E ultimamente ninguém tem sido infeliz
repetidas vezes. Dá para falar que a arbitragem
melhorou demais de uns tempos para cá.
Como viu o escândalo de manipulação
na Itália?
Sinceramente foi um alívio para nós, aqui
no Brasil. Depois do episódio com o Edílson
Pereira de Carvalho (o árbitro entrou num esquema
de apostas de resultados), falavam que uma coisa dessas
só aconteceria aqui, e que todos nós da
classe de árbitros não prestávamos.
Aí, quando surge um escândalo na Itália,
um país da Europa e vitrine para todos, as pessoas
percebem que é um problema mundial. Teve coisa
parecida na Alemanha, também.
Rola
preconceito em relação aos trios de arbitragem
depois do caso Edílson?
Ainda rola e tudo o que se viu foi ruim demais para nós.
É péssimo você chegar no seu ambiente
de trabalho e todos o colocarem em xeque por causa de
outra pessoa. Não quero viver essa sensação
nunca mais.
É verdade que você entrou para o
futebol porque o orçamento em casa apertou?
Verdade. Entrei para ajudar meus pais. Já trabalhava
como auxiliar de escritório, ganhava um salário
mínimo, e a situação estava dura
porque meu pai não tinha emprego. Foi então
que ele perguntou se eu não queria dar uma força
para ele como mesária. Eu tinha 14 anos e aceitei,
mesmo sem entender nada de futebol. Só nunca imaginei
que fosse gostar tanto da brincadeira.
Como seu pai reagiu ao ver a filha nos campos,
já como bandeirinha?
Hoje com certeza ele tem muito orgulho. Só que
nem ele achava que isso fosse tão longe. Ele tinha
certeza que minha carreira não daria certo. Agora
acompanha tudo, vê os jogos, dá palpite.
Virou um torcedor de carteirinha da Ana Paula Futebol
Clube.
Ele é ciumento?
Bastante. E já arrumou cada confusão por
causa de ciúmes. Quando eu ainda bandeirava no
futebol amador, aos 17 anos, estava começando a
ganhar corpo de mulher. Aí os amigos dele que me
viam como criança, num primeiro momento, passaram
a reparar em mim de um jeito diferente. Ele ficava uma
fera. Depois dos jogos de domingo, eu ficava reunida com
o pessoal, conversando, e meu pai brigava com quem fizesse
qualquer gracinha. Tive que parar de freqüentar esses
encontros. Um tempo mais tarde, até pedi para não
trabalhar mais com ele (risos).
Você namora?
Atualmente, não.
Noooooossa...
Como isso é possível?
Até o mês passado eu estava namorando, mas
não deu certo. O que pega é que meus namorados
não aceitam muito minha profissão. E não
é nem pelo ciúmes, mas pela minha ausência.
Eu viajo demais por causa dos jogos. Também faço
faculdade e dou cursos de motivação e trabalho
em equipe. Aí sobra pouco tempo para namorar. O
engraçado é que no começo de namoro
é sempre igual: eles aceitam, dizem que não
tem problema e fica tudo às mil maravilhas. Mas
passou do terceiro mês e começa a muvuca.
Os boleiros profissionais já se acostumaram
com o fato de ter uma mulher na bandeira?
Acho que sim. O nome Ana Paula de Oliveira já é
conhecido, está marcado. Mas no começo foi
bem difícil, pois havia uma rejeição
grande, um receio enorme. Graças a Deus meus acertos
permitiram que eu ganhasse esse respeito e credibilidade
que tenho hoje por parte dos atletas.
Quais são os mais chatos e reclamões?
Os árbitros falam sempre do Rogério Ceni,
mas não é uma opinião minha, porque
fico sempre distante dele, com pouquíssimo contato.
Cruzo mais com laterais e zagueiros, e esse pessoal é
mais legal. Num clássico entre Palmeiras e Corinthians,
o Gustavo Nery veio reclamar, foi grosso. Mas depois pediu
desculpas. Ah, os árbitros também consideram
o Ricardinho bastante reclamão.
Abre o jogo: quem é o jogador mais lindo do Brasil?
O Lugano reinava absoluto, mas tem uns meninos novos aparecendo.
Humm... acho o Fábio, que hoje é goleiro
do Cruzeiro, muito bonito. (Ana faz uma pausa) Pensando
bem, o Lugano continua se destacando dos demais. Só
que a safra atual está boa. O Fluminense, por exemplo,
tem um elenco novo que é bastante bonito. O Dagoberto,
do Atlético-PR, é uma gracinha...
E qual é mais xavequeiro?
Dos boleiros, xavequeiros? Ah, vou dar o título
para o Vampeta, disparado. Ele é demais de xavequeiro.
Mas esse é o jeito dele, bem engraçado.
O típico jogador dado, sabe?
Qual foi a cantada mais sem noção
que um torcedor já te passou pelo alambrado?
Ah, têm umas bem vulgares, daquelas: ‘Pô,
vai pra minha casa. Estarei te esperando com uma pizza
bem gostosa’. Mas nem considero essas situações
como cantadas, e sim ofensas. Uma vez, teve uma que achei
meiga: enquanto um grupinho me xingava por causa de um
impedimento que marquei, surgiu um torcedor no meio deles
que saiu em minha defesa, disse que me achava linda e
passou o número do telefone dele. Foi uma atitude
bonita, diferente, mas claro que não consegui marcar
o celular do cara no meio daquela bagunça toda.
Nenhum
árbitro tentou te cumprimentar com um romântico
beijinho na boca?
Negativo! O mesmo respeito que tenho dos atletas, tenho
dos árbitros. E sou muito profissional na relação
com eles. Dá para dizer que sou chata ao extremo.
Poucos árbitros têm acesso a mim. Não
tem essa de ficar me ligando, nem nada. Por exemplo, na
hora de ir para os jogos, prefiro encontrá-los
já no estádio, ou no aeroporto, para não
dar chance de que eles confundam qualquer coisa.
Na hora agá, homem bonito não tem impedimento
com você?
Não dá para misturar as coisas. Uma coisa
é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Quem está sempre na marca do pênalti?
Não vou dizer uma pessoa, mas uma situação.
O que não dá mais para aturar é a
violência nos estádios. O pior é que
ela tem se mostrado uma coisa constante e grave. O que
aconteceu em Porto Alegre (os gremistas queimaram os banheiros
do Beira-Rio, no clássico com o Inter) foi muito
triste.
Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho?
Vou ficar com o Ronaldinho Gaúcho. O Ronaldo já
é o Fenômeno, enquanto o Gaúcho ainda
está para ser.
Kaká ou Beckham?
Kaká, apesar do Beckham ser maravilhoso. Tenho
que escolher o brasileiro, né? É bem verdade
que o charme do Beckham é uma coisa sensacional. |
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