2006 - EDIÇÃO 44

Os 13 grandes momentos de Zagallo
Por Jorge Nicola
Prestes a completar 75 anos, o personagem mais vitorioso da história do futebol conversou com o Fatto Olé e fez uma retrospectiva de sua vida. Melhor ainda: elegeu os 13 grandes momentos que viveu dentro e fora dos campos. O número, é claro, foi escolhido por ser o preferido de Zagallo. Supersticioso, sortudo, teimoso... o único tetracampeão mundial com uma seleção continua o mesmo, apesar de não estar mais empregado - ele foi demitido do cargo de coordenador técnico da CBF. Ainda assim, avisa: “Não vou sair me oferecendo por aí. Os clubes grandes sabem onde me encontrar e, se quiserem, eles que me liguem.”
1 - O número um
“Sou o único cidadão no mundo com quatro títulos mundiais por uma seleção. Não dá para esquecer a conquista em 1958 e 62 como jogador, em 1970 como técnico, e em 1994 como coordenador técnico. Fui campeão de tudo quanto é jeito, e o filme dessas conquistas passa a toda hora".
2 - Fla, Fla, Fla
“Aquele tricampeonato carioca que ganhei com a camisa do Flamengo em 1953, 54 e 55 foi maravilhoso e coroou a melhor passagem que tive em um clube de futebol. Até hoje têm torcedores, bem velhinhos, que me parabenizam pelas atuações que tive naquela época”.
3 - Ele e Eu
“O Garrincha foi, é e será o maior gênio do futebol mundial. Toda vez que lembro dele, encho a boca para dizer que tive o privilégio de atuar ao seu lado, no Botafogo da década de 60. Aquela linha de ataque com Amarildo, Garrincha, Quarentinha e eu deixa muitas saudades”.
4 - Frases feitas
“Não há quem não lembre de algumas frases minhas, como aquela ‘vocês vão ter que me engolir’. O curioso é que essa e todas as outras saíram espontaneamente, e acabaram marcando momentos importantes da minha vida na seleção e pelos clubes”.
5 - Praia de paulista
“Foi gratificante demais ter morado em São Paulo, em 1999. O ambiente para mim não era bom, porque achavam que eu não gostava dos paulistas. Mas durante o tempo em que fui técnico da Portuguesa, mostrei a todos que isso não existia e fui muito bem tratado. Deveria ter ficado mais tempo, inclusive”.
6 - Cidadão do mundo
“O futebol me proporcionou a oportunidade de ter dado a volta ao mundo algumas vezes. Conheço bem a América do Sul, a Europa, a Ásia, a África... É claro que ainda falta um país ou outro, mas muito pouco perto do tamanho do mundo. E o melhor de tudo é que não gastei nada nessas viagens, já que ia com tudo pago”.
7 - Amor, meu grande amor
“Entre os grandes momentos da minha vida, não posso deixar de citar a mulher dos meus sonhos, que é a Alcina. Afinal, já são 51 anos de união. Casamos em 1955, quando eu era bem novinho e jogava pelo Flamengo. A Alcina sempre me deu muito respaldo e sou eternamente apaixonado por ela”.
8 - Bolso cheio
“Sou uma pessoa mão-fechada, que não gosta de gastar dinheiro com nada. Mas dá para dizer que nunca tive problema com isso, porque sempre fui um felizardo. Ganhei bastante dinheiro, seja como jogador, como treinador ou como coordenador técnico". (Seu salário na Seleção era de R$ 180 mil mensais).
9 - Meu nome é carisma
“Não sei bem ao certo o que me faz ser tão carismático, só que a realidade é que o povo gosta demais de mim. E isso me faz sorrir diariamente. Talvez eles gostem da maneira como eu encaro as situações, talvez seja a minha naturalidade...”
10 - Sorte é ter sorte
“É claro que eu me considero bom no que fiz, mas não teria chegado a lugar nenhum sem a sorte que tanto me acompanhou. Em todos os setores da vida, a sorte é fundamental. Posso ser qualquer coisa, menos um pé-frio. O azarado não chega a lugar nenhum, por mais competente que seja".
11 - Dupla dinâmica
“Um dos pontos-chave do meu sucesso foi andar sempre bem acompanhado, e o meu grande parceiro profissional foi o Carlos Alberto Parreira. Nossa dupla começou em 1970, quando ele era meu preparador físico na Seleção. Levei ele para o Fluminense, para o exterior e depois virei coordenador, enquanto ele comandou a seleção".
12 - Rei das arábias
“O mesmo carinho que recebo dos brasileiros eu encontro no mundo árabe. Tudo porque fiz muito sucesso enquanto trabalhei como técnico no Kuwait, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes. Também ganhei muito em cultura enquanto estive nesses três países".
13 - O segredo é a humildade
“Uma coisa que me enche de orgulho é perceber que não mudei nada apesar da fama, do dinheiro e do sucesso. Não ostento roupas, carros ou qualquer coisa. Nada subiu à minha cabeça e aqueles que convivem comigo no dia-a-dia sabem que sou exatamente igual ao Zagallo que, por exemplo, serviu o exército em 1950".