2006 - EDIÇÃO 44

Terra estrangeira
Por Jorge Nicola
Foi-se o tempo em que o Brasil era apenas um país exportador no futebol. Nos últimos anos, uma legião de estrangeiros invadiu os campos brazucas para fazer sucesso. O que explica tal mudança? Será que os brasileiros já não são tão bons como antigamente? A fim de responder a essas perguntas, o Fatto Olé ouviu especialistas em mercado.

O argentino Mascherano é dono do meio-campo do Corinthians
"Não dá para dizer que o nível técnico do futebol nacional caiu", afirma o empresário Bernardo Filho, ex-jogador que fez sucesso com a camisa do Corinthians. Acontece que o real está mais valorizado do que nunca na América do Sul e os clubes perceberam que são capazes de contratar bons estrangeiros sem muito custo, justifica.

Os quatro grandes clubes de São Paulo contam com gringos. O Corinthians é o recordista, com quatro: o chileno Herrera, e os argentinos Tevez, Mascherano e Sebá. O Santos apresenta três (o chileno Maldonado, o paraguaio Manzur e o mexicano De Nigris), o São Paulo dois (o uruguaio Lugano e o equatoriano Reasco) e o Palmeiras um (o chileno Valdívia).

Na opinião do técnico Émerson Leão, a contratação de mão-de-obra externa é importante por causa das entressafras vividas pelo futebol brasileiro. "Os clubes europeus e asiáticos levam muitos jogadores nossos”, analisa o comandante do São Caetano. "E enquanto as equipes preparam os atletas mais jovens, os sul-americanos servem de alicerce", opina Leão, citando o volante chileno Maldonado. "Ele acerta qualquer meio-de-campo".

Antes de fazer sucesso no Peixe, Maldonado já foi o homem de confiança de muitos técnicos no São Paulo. "Para nós, estrangeiros, é fácil se adaptar ao Brasil. O futebol não tem muitos mistérios táticos, os jogadores daqui são bem receptivos e a vida em geral no Brasil é melhor que em nossos países”, reconhece o chileno.

Já o chileno Maldonado é o xodó da torcida do Santos
Fenômeno nacional - A grande procura pelo mercado estrangeiro não é realidade apenas nos times de São Paulo. Dos quatro grandes do Rio, o Vasco é o único que não tem gringos. O Flamengo utiliza o uruguaio Peralta e o paraguaio Ramirez, o Fluminense conta com o sérvio Petkovic, e o Botafogo dispõe do uruguaio Artigas.

No Sul, o elenco gremista tem os argentinos Maidana e Herrera, e o chileno Escalona. O rival Inter joga com o atacante colombiano Renteria. Centenas de quilômetros acima, no Atlético Paranaense, mais dois colombianos: outro atacante com o nome Herrera e o meia Ferreira. Há até um angolano, o atacante Johnson, atualmente no Goiás.

De acordo com estatísticas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o país nunca contou com tantos estrangeiros em seus gramados. E existe uma grande diversidade. Para se ter uma idéia, quase todos os países da América do Sul contam com pelo menos um representante atuando no futebol canarinho – as exceções são Venezuela, Guiana e Guiana Francesa.