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Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria
empatado todo ano. Mas uma coisa é certa: a superstição
sempre entra em campo quando o assunto é futebol.
Pimenta, dente de alho, sal grosso, figa... O Fatto
Olé encontrou todo tipo de mandinga
pelos quatro cantos do Brasil: desde carregar um simples
pé de coelho até a maluquice de ficar
dando voltas em torno do juiz, com a bola nos pés.
Torcedores, jogadores e técnicos, todos os envolvidos
no esporte bretão têm alguma receita caseira
e milagrosa.
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Tem
até boleiro que dá cabeçada
na parede antes das partidas |
No
time dos supersticiosos existem os mais tradicionais,
como o técnico Jair Pereira, que não abre
mão de entrar com o pé direito no campo
e rezar antes da partida. Há também os
mais excêntricos, que preferem uma boa briga:
o técnico Cuca, do Botafogo, “cava”
discussões com a mulher na véspera dos
jogos, para trazer sorte. Tudo porque uma de suas vitórias
mais marcantes ocorreu justamente depois de um bate-boca
homérico com a esposa. Já Candinho declarou-se
cético. “Eu sou normal.” Em seguida,
porém, o ex-treinador da seleção
brasileira se contradiz ao revelar que não gosta
muito de pisar no campo antes do apito inicial do árbitro.
A gastronomia também tem lugar no mundo das superstições.
Como não citar o lateral-esquerdo Kleber, do
Santos, que, ao entrar em campo, coloca um chiclete
na boca e só tira depois do jogo acabado? Já
o técnico Valdyr Espinosa, atualmente desempregado,
tinha o hábito de tomar Fanta Uva ao final dos
treinos no Botafogo.
O que se vê muito é a mania, de higiene duvidosa,
de repetir alguma peça do vestuário. Um
dos que comprova a tese é o atacante Diego Tardelli,
do São Caetano. Ele admite que nos tempos de menino
usava sempre a mesma meia, em qualquer jogo. Artilheiro
da Série B do Brasileirão, o atacante Marinho,
do Atlético-MG, também é adepto da
filosofia, e desde 2000 usa a mesma chuteira. “Quando
ela estraga, mando consertar. Não troco nunca”.
Outro que aposta na tradição é Zé
Elias. Nos tempos de Corinthians, ele só trocava
a cueca à força. Foi preciso que o goleiro
Ronaldo queimasse a peça íntima em pleno
treino para o volante comprar uma nova.
A mania mais assustadora eleita pela equipe do Fatto
Olé pertence ao meia Éder, do
Vila Nova, de Goiás. O ritual do jogador antes
de pisar no gramado chega a ser escabroso. Para se sentir
ligado, ele bate a cabeça na parede três
vezes. Será que o astro francês Zinedine
Zidane já está fazendo escola?
Nem o mundo animal escapa. Em 1948, o cachorrinho alvinegro
Biriba ganhou lugar no banco de reservas do Botafogo
depois que o presidente do time, Carlito Rocha, decretou
o canino como mascote oficial. Nem precisa ressaltar
que a equipe da Estrela Solitária acreditava
que o cão dava sorte.
E quem pensa que espantar a urucubaca é uma tendência
apenas nacional está redondamente enganado. O zagueiro
inglês John Terry, do poderoso Chelsea, carrega
uma série de manias: nos momentos que antecedem
um confronto, ele só escuta o CD do cantor americano
Usher, senta-se sempre no mesmo lugar do ônibus
do clube, dá exatamente três voltas de esparadrapo
para segurar os meiões e usa um calção
térmico velho, que é seu favorito. |