2006 - EDIÇÃO 43

Superstição Futebol Clube
Por Nathalia Pazini, especial para o Fatto Olé

Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria empatado todo ano. Mas uma coisa é certa: a superstição sempre entra em campo quando o assunto é futebol. Pimenta, dente de alho, sal grosso, figa... O Fatto Olé encontrou todo tipo de mandinga pelos quatro cantos do Brasil: desde carregar um simples pé de coelho até a maluquice de ficar dando voltas em torno do juiz, com a bola nos pés. Torcedores, jogadores e técnicos, todos os envolvidos no esporte bretão têm alguma receita caseira e milagrosa.

Ilustração: Renato Prado
Tem até boleiro que dá cabeçada na parede antes das partidas
No time dos supersticiosos existem os mais tradicionais, como o técnico Jair Pereira, que não abre mão de entrar com o pé direito no campo e rezar antes da partida. Há também os mais excêntricos, que preferem uma boa briga: o técnico Cuca, do Botafogo, “cava” discussões com a mulher na véspera dos jogos, para trazer sorte. Tudo porque uma de suas vitórias mais marcantes ocorreu justamente depois de um bate-boca homérico com a esposa. Já Candinho declarou-se cético. “Eu sou normal.” Em seguida, porém, o ex-treinador da seleção brasileira se contradiz ao revelar que não gosta muito de pisar no campo antes do apito inicial do árbitro.

A gastronomia também tem lugar no mundo das superstições. Como não citar o lateral-esquerdo Kleber, do Santos, que, ao entrar em campo, coloca um chiclete na boca e só tira depois do jogo acabado? Já o técnico Valdyr Espinosa, atualmente desempregado, tinha o hábito de tomar Fanta Uva ao final dos treinos no Botafogo.

O que se vê muito é a mania, de higiene duvidosa, de repetir alguma peça do vestuário. Um dos que comprova a tese é o atacante Diego Tardelli, do São Caetano. Ele admite que nos tempos de menino usava sempre a mesma meia, em qualquer jogo. Artilheiro da Série B do Brasileirão, o atacante Marinho, do Atlético-MG, também é adepto da filosofia, e desde 2000 usa a mesma chuteira. “Quando ela estraga, mando consertar. Não troco nunca”. Outro que aposta na tradição é Zé Elias. Nos tempos de Corinthians, ele só trocava a cueca à força. Foi preciso que o goleiro Ronaldo queimasse a peça íntima em pleno treino para o volante comprar uma nova.

A mania mais assustadora eleita pela equipe do Fatto Olé pertence ao meia Éder, do Vila Nova, de Goiás. O ritual do jogador antes de pisar no gramado chega a ser escabroso. Para se sentir ligado, ele bate a cabeça na parede três vezes. Será que o astro francês Zinedine Zidane já está fazendo escola?

Nem o mundo animal escapa. Em 1948, o cachorrinho alvinegro Biriba ganhou lugar no banco de reservas do Botafogo depois que o presidente do time, Carlito Rocha, decretou o canino como mascote oficial. Nem precisa ressaltar que a equipe da Estrela Solitária acreditava que o cão dava sorte.

E quem pensa que espantar a urucubaca é uma tendência apenas nacional está redondamente enganado. O zagueiro inglês John Terry, do poderoso Chelsea, carrega uma série de manias: nos momentos que antecedem um confronto, ele só escuta o CD do cantor americano Usher, senta-se sempre no mesmo lugar do ônibus do clube, dá exatamente três voltas de esparadrapo para segurar os meiões e usa um calção térmico velho, que é seu favorito.