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O maior segredo do sucesso do São Paulo é
gerir seu futebol seguindo os moldes de administração
aplicados na Europa com um jogo de cintura bem brasileiro.
Mas o Fatto Olé foi além
para lhe mostrar o que faz do Tricolor a grande grife
do futebol mundial. Você vai entender porque o
clube está a três partidas do tetra na
Taça Libertadores, e porque lidera o Brasileirão.
Também vai descobrir a razão de tanta
inveja por parte dos rivais, e o desejo cada vez mais
comum dos boleiros de vestir a camisa vermelha, branca
e preta.
Juvenal Juvêncio: é o
único cartola do Brasil de se tirar o chapéu.
O presidente tricolor é o grande responsável
pela fase mágica do clube. Desde 2003, quando
assumiu o cargo de diretor, ele revolucionou o futebol.
Sua primeira providência foi mudar a estrutura
do CT da Barra Funda, criando o Reffis (centro de recuperação
de jogadores lesionados). Em seguida, Juvenal transformou
o modo de contratações do clube. Sem dinheiro,
deu início a uma vasta busca por atletas com
contratos a expirar, aproveitando-se do fim da Lei do
Passe.
Assim,
conseguiu contratar de graça os volantes Mineiro
e Josué, os zagueiros Fabão e André
Dias, o lateral-esquerdo Júnior, o meia Danilo,
além dos atacantes Ricardo Oliveira, Aloísio,
Thiago e Lima. Antes, haviam chegado de graça
Amoroso, Luizão... “Eu faço parte
do 1% dos dirigentes que conhecem futebol. Os outros
99% não sabem nada”, diz, sem qualquer
falsa-modéstia.
Política: há pelo menos
três grupos políticos distintos no São
Paulo. E diferentemente dos rivais paulistas, nos quais
os presidentes ficam no comando por anos e anos, existe
grande disputa a cada eleição. É
comum ver candidatos sendo eleitos com diferenças
menores a dez votos em relação aos concorrentes.
Futuro: enquanto se reforça
com atletas para hoje, o Tricolor busca jogadores jovens
e os prepara antes de colocá-los em campo. O
zagueiro Alex Silva, irmão de Luisão,
defensor do Benfica e da seleção brasileira,
é um exemplo. Contratado no ano passado, Alex
Silva disputou seis meses pelo time de juniores. Enquanto
isso, teve um acompanhamento da comissão técnica
e ganhou cinco quilos de massa muscular. Hoje já
atua na equipe de cima e está sendo trabalhado
para ficar com a vaga de Lugano, negociado com o futebol
europeu.
Mercado: apesar das altas arrecadações
com bilheteria na Libertadores (o lucro supera R$ 1
milhão por cada partida decisiva disputada em
casa), o Tricolor se vê obrigado a vender pelo
menos um atleta por ano para o exterior, para não
se endividar. Isso porque tem gastos altos com a sede
social e com a manutenção do CT da Barra
Funda e de Cotia (para as categorias de base).
Salários: ao contrário
de clubes como Corinthians e Fluminense, o São
Paulo não paga salários astronômicos.
A exceção é Rogério Ceni,
que por sua liderança e 15 anos de casa recebe
mais de R$ 250 mil mensais. Já os atletas que
compõem a espinha dorsal do time têm salários
entre R$ 30 mil e R$ 70 mil.
Reffis:
referência mundial como centro de recuperação,
o Reffis custa aos cofres do Tricolor mais de R$ 1 milhão
por mês. Nele encontram-se os mais modernos equipamentos
de fisioterapia. A equipe de especialistas são-paulina
conta com médicos, fisiologistas, fisioterapeutas,
nutricionistas e preparadores físicos.
O renome do Reffis é tal que 14 dos 23 jogadores
da seleção brasileira que disputaram a
Copa da Alemanha já se trataram por lá.
Entre eles estão Ronaldo, Cafu, Juninho Pernambucano
e Juan. Foi com a ajuda do Reffis que o Tricolor conseguiu
contratar Luizão, Ricardo Oliveira, Alex Silva
e agora Adaílton (zagueiro que foi capitão
da Seleção Brasileira Sub-20 no último
Mundial).
Ambiente: as famosas panelas (grupinhos
de jogadores) não existem no Morumbi. Pelo contrário.
O que se vê no dia-a-dia é um elenco extremamente
unido. No início do ano, por exemplo, o volante
Josué recebeu na festa de aniversário
de seu filho de um ano a presença de 20 dos 26
atletas, fato raríssimo no meio do futebol. Apesar
de ficarem no banco, reservas como Aloísio e
Alex Dias dão inúmeras demonstrações
de apoio àqueles que jogam.
Rogério Ceni: exerce a função
de líder dentro e fora do campo. E não
pára de dar bons exemplos. Você sabia que
ele é o que mais treina, apesar dos 33 anos de
idade? Isso mesmo. “O Rogério é
o primeiro a chegar no gramado e sempre o último
a sair”, revela Muricy Ramalho. O goleiro, há
15 anos no Morumbi, também atua como representante
do elenco nas discussões de prêmios com
a diretoria.
Comissão-técnica: entra
técnico, sai técnico e o sucesso do time
continua. Foi assim com Leão, Paulo Autuori e
agora Muricy Ramalho. Isso porque a comissão-técnica
são-paulina não é alterada a cada
mudança de comandante. O preparador físico
Carlinhos Neves, o superintendente Marco Aurélio
Cunha, o auxiliar técnico Milton Cruz e o médico
José Sanches são alguns dos funcionários
com mais de cinco anos de casa. “O técnico
que quiser trabalhar aqui não trará um
monte de gente, não”, avisa Juvenal. “Já
temos uma comissão técnica de altíssimo
nível e só aceitamos que o treinador indique
um auxiliar”, explica.
Bastidores:
o São Paulo tem ótimo relacionamento
com a Conmebol (Confederação Sul-americana
de Futebol) e, por conta disso, sempre consegue emplacar
seus desejos. No ano passado, por exemplo, o Tricolor
esperneou que não jogaria a final da Libertadores
na Arena da Baixada, por causa de obras no estádio.
O pedido de vetar a casa do Atlético-PR foi atendido
e o primeiro confronto da decisão aconteceu no
Beira-Rio, em Porto Alegre. Já com a CBF (Confederação
Brasileira de Futebol), a coisa é diferente.
Isso porque o “santo” de Juvenal Juvêncio
não bate com o do presidente da entidade nacional,
Ricardo Teixeira. Até por isso, o clube paulista
vive chorando, dizendo-se vítima de árbitros.
Fator casa: um dos grandes trunfos do São
Paulo em sua história é o Morumbi. Além
de ser o maior palco para futebol do estado, o estádio
nunca presenciou uma derrota do Tricolor em partidas
decisivas da Libertadores. Foram 24 vitórias
e dois empates em 26 jogos. “Jogando ao lado de
70 mil torcedores e no gramado que a gente conhece tão
bem é muito difícil nos bater”,
sentencia o atacante Ricardo Oliveira.
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