2006 - EDIÇÃO 42

Idoso aos 30 anos
Por Jorge Nicola

Fama, dinheiro, mulheres... A vida de um jogador de futebol é tudo o que muitos homens pediram a Deus. Mas o ditado “o que é bom dura pouco” se aplica perfeitamente ao mundinho dos boleiros. Duvida? Então tente lembrar em que outras profissões uma pessoa é considerada velha com 30 anos de idade. Difícil, não é?

Os anos são cruéis para um atleta que corre atrás da bola. Depois de alcançar a terceira década de vida, sua carreira costuma entrar em declínio. “O mercado para um jogador nessa idade diminui, as propostas de salário baixam, as contusões viram uma constante e a desconfiança do torcedor aparece em cada partida”, constata o empresário Gilmar Rinaldi, que cuida dos interesses de atletas como o atacante Adriano e o goleiro Júlio César, ambos da Inter de Milão.

A seleção brasileira comprova a tese de Rinaldi. Os laterais Cafu e Roberto Carlos, campeões mundiais com o Brasil em 1998, hoje são execrados por suas participações no Mundial da Alemanha. Cafu tem 36 anos, enquanto Roberto Carlos 33. Com a mesma idade do lateral-esquerdo do Real Madrid, o craque Zinedine Zidane resolveu se aposentar, apesar das excelentes atuações na Copa, que lhe valeram o título de melhor jogador da competição. “Ele percebeu que as pernas já não acompanham o raciocínio”, analisa o brasileiro Cicinho, seu companheiro de clube. Rivaldo é outro que pode se aposentar ao final da temporada na Grécia, onde joga pelo Olympiakos.

“O jogador precisa se conscientizar de que vai atuar por até 15 anos. Raramente ele tem uma carreira que alcança os 20 anos”, afirma o fisioterapeuta Luiz Alberto Rosan, do São Paulo e da Seleção Brasileira. “Por isso, é preciso ter inteligência na hora de gastar. A sorte deles é que são muito bem remunerados para fazerem o que fazem”, lembra.

Por que será que os palmeirenses Juninho e Marcos estão sempre no departamento médico? A explicação está ligada ao fato de ambos já terem passado dos 30. “O que acontece é que os atletas começam a perder fibra de velocidade após uma determinada idade. Com isso, ficam com menos velocidade e agilidade, e, se não criam um novo estilo de jogo, acabam suscetíveis às lesões musculares”, justifica o médico palmeirense Rubens Sampaio.

Alguns atletas, no entanto, brigam contra as pernas para faturar os últimos trocados da carreira. Depois de ser o artilheiro do Brasileirão no ano passado, o atacante Romário, aos 40 anos, goza do prestígio de maior goleador do campeonato americano. Quarto maior artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 129 gols, Túlio Maravilha está na Fast, de Manaus, disputando a terceira divisão nacional. “A gente já não tem mais aquele ritmo, aquela velocidade, mas ainda coloca as bolas para dentro do gol. E é isso que a torcida quer”, lembra Túlio, que depois da brilhante passagem pelo Botafogo, na década passada, vive peregrinando por clubes pequenos, como Volta Redonda, Anapolina e Vila Nova.