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Fama, dinheiro, mulheres... A vida de um jogador de
futebol é tudo o que muitos homens pediram a
Deus. Mas o ditado “o que é bom dura pouco”
se aplica perfeitamente ao mundinho dos boleiros. Duvida?
Então tente lembrar em que outras profissões
uma pessoa é considerada velha com 30 anos de
idade. Difícil, não é?
Os
anos são cruéis para um atleta que corre
atrás da bola. Depois de alcançar a terceira
década de vida, sua carreira costuma entrar em
declínio. “O mercado para um jogador nessa
idade diminui, as propostas de salário baixam,
as contusões viram uma constante e a desconfiança
do torcedor aparece em cada partida”, constata
o empresário Gilmar Rinaldi, que cuida dos interesses
de atletas como o atacante Adriano e o goleiro Júlio
César, ambos da Inter de Milão.
A
seleção brasileira comprova a tese de
Rinaldi. Os laterais Cafu e Roberto Carlos, campeões
mundiais com o Brasil em 1998, hoje são execrados
por suas participações no Mundial da Alemanha.
Cafu tem 36 anos, enquanto Roberto Carlos 33. Com a
mesma idade do lateral-esquerdo do Real Madrid, o craque
Zinedine Zidane resolveu se aposentar, apesar das excelentes
atuações na Copa, que lhe valeram o título
de melhor jogador da competição. “Ele
percebeu que as pernas já não acompanham
o raciocínio”, analisa o brasileiro Cicinho,
seu companheiro de clube. Rivaldo é outro que
pode se aposentar ao final da temporada na Grécia,
onde joga pelo Olympiakos.
“O
jogador precisa se conscientizar de que vai atuar por
até 15 anos. Raramente ele tem uma carreira que
alcança os 20 anos”, afirma o fisioterapeuta
Luiz Alberto Rosan, do São Paulo e da Seleção
Brasileira. “Por isso, é preciso ter inteligência
na hora de gastar. A sorte deles é que são
muito bem remunerados para fazerem o que fazem”,
lembra.
Por que será que os palmeirenses Juninho e Marcos
estão sempre no departamento médico? A
explicação está ligada ao fato
de ambos já terem passado dos 30. “O que
acontece é que os atletas começam a perder
fibra de velocidade após uma determinada idade.
Com isso, ficam com menos velocidade e agilidade, e,
se não criam um novo estilo de jogo, acabam suscetíveis
às lesões musculares”, justifica
o médico palmeirense Rubens Sampaio.
Alguns
atletas, no entanto, brigam contra as pernas para faturar
os últimos trocados da carreira. Depois de ser
o artilheiro do Brasileirão no ano passado, o
atacante Romário, aos 40 anos, goza do prestígio
de maior goleador do campeonato americano. Quarto maior
artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 129 gols, Túlio
Maravilha está na Fast, de Manaus, disputando
a terceira divisão nacional. “A gente já
não tem mais aquele ritmo, aquela velocidade,
mas ainda coloca as bolas para dentro do gol. E é
isso que a torcida quer”, lembra Túlio,
que depois da brilhante passagem pelo Botafogo, na década
passada, vive peregrinando por clubes pequenos, como
Volta Redonda, Anapolina e Vila Nova.
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