2006 - EDIÇÃO 42

O herdeiro de Ronaldinho Gaúcho
Por Jorge Nicola

Imagine um menino com talento de gente grande. Ele tem apenas 12 anos, mas a categoria que mostra nos campinhos de pelada de Porto Alegre, a grife de seu futebol e o DNA de craque o credenciam como um boleiro de grande futuro. De quem estamos falando? De Diego, sobrinho e herdeiro de Ronaldinho Gaúcho, que o Fatto Olé encontrou fazendo sucesso nas categorias de base do Grêmio.

Tímido, de fala mansa, o menino ainda trava ao dar entrevistas. “Não estou acostumado”, explica ‘Dieguito’, que tem tudo para ser um Ronaldinho evoluído. E graças à tecnologia atual. “Sou viciado em futebol. Só que também adoro internet e fico o dia inteiro caçando vídeos de embaixadinhas e de jogadas”, conta o filho de Assis, ex-meia do Grêmio e da seleção brasileira, que é irmão de Ronaldinho.

Depois de acompanhar alguns dos malabarismos que Diego é capaz, o camisa 10 do Barcelona não teve dúvida em apontá-lo como seu sucessor. “O maior craque da família vai ser meu sobrinho”, prevê. “O moleque arrebenta. Faz coisas dez vezes mais difíceis do que eu conseguia quando tinha a idade dele”, explica Ronaldinho, impressionado com a intimidade do garoto com a bola.

Fisicamente, Diego é muito parecido com o melhor do mundo. “O pessoal até acha que fui eu quem gravou aquele comercial que mostra o Ronaldinho fazendo gols quando era novinho, jogando futebol de salão”, revela o herdeiro.

Apesar da distância entre Porto Alegre e Barcelona, a dupla está sempre próxima. “Não temos muita oportunidade de nos encontrarmos, mas conversamos todo dia pelo MSN. Aí, sempre que eu acho uns lances legais, passo para ele fazer”, diz o menino, que comprova a cada nova embaixadinha o quanto Ronaldinho é bom. “Eu mostro o lance pela webcam e em poucas tentativas ele já consegue, enquanto eu preciso ficar treinando diversas vezes. O legal é que o Ronaldinho também me ensina umas coisas bem diferentes, que nunca vi na vida.”

Enquanto espera a chegada da fama, dos milhões e dos golaços em campos brasileiros e internacionais, Diego vive uma vida quase normal. Ele mora junto com os pais numa casa de luxo em condomínio chique da capital gaúcha. “Vou para a escola, tenho amiguinhos, gosto de qualquer jogo de futebol para computador...”, descreve. E as notas? “Até que sou bom aluno, mas sempre tem uma nota que é pior, né? Me dou bem em português, porque acho legal. Agora em matemática eu tenho dificuldade para aprender.”

Como toda criança, ele costuma usar as peladas de futebol nas aulas de educação física para incorporar grandes craques. Porém engana-se quem pensa que o gauchinho só “atua” como Ronaldinho. “Eu também adoro o Rooney, o Kaká, o Adriano, o Henry e o Zidane.” Artilheiro do time do Grêmio, ele viveu os momentos mais marcantes da vida no ano passado, graças ao tio famoso. Primeiro ao virar personagem de uma revista de história em quadrinhos em que o protagonista é Ronaldinho. Depois, quando esteve em Barcelona para visitar o parente e treinou por alguns minutos do lado dos campeões espanhóis e europeus. “Foi uma loucura. Era muita emoção.”