Diga-me uma coisa: você é a favor de violência?
Aposto que não. Então, como poupar Zinedine
Zidane? Como concordar com a imprensa esportiva internacional
que premiou a sua participação na Copa
da Alemanha? Gênio, mágico, craque... Ele
foi tudo isso, mas encerrou de forma melancólica
a sua carreira. Para mim, ele merece a bola de ferro.
A guilhotina moral. Toda a força das expressões
que o coloquem como vilão. Vilão do esporte.
Vilão da França. Vilão da Copa.
Eu não perdôo Zidane. Não perdôo
a imprensa que o consagrou. Não perdôo
a violência. E não adianta procurar palavras
culpadas ditas por Marco Materazzi – outro jogador
que também não é nenhum exemplo
de conduta. A conclusão é uma só:
o olhar crítico tem que estar acima do bem e
do mal. Na vida, como no esporte, as escolhas, as atitudes
e as decisões ficam para sempre como marcas de
um momento. E a história do atleta Zidane ficou
marcada por sua cabeçada - não na bola
- no peito de gerações apaixonadas pelo
futebol.