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Que a seleção de Gana é a adversária
do Brasil nesta terça, pelas oitavas-de-final
da Copa, todo mundo sabe. Que os jogadores do técnico
Ratomir Dujkovic fogem do estilo africano de só
atacar, esquecendo-se da defesa, também é
bastante conhecido. O que passa quase desapercebido
é a história de um país sofrido,
miserável, e que teve quase toda sua população
de homens escravizada e levada para trabalhar nos Estados
Unidos e no Brasil entre os séculos XVI e XVII.
Com o fim da escravatura, milhares de escravos que viviam
no Brasil retornaram à Gana, formando uma comunidade
chamada Tabom, que se estabeleceu na capital Acra. Colônia
britânica até 1957, a pátria de Appiah,
Boateng, Pimpong e tantos outros vive ainda hoje os reflexos
de centenas de anos de exploração de ouro,
diamantes e manganês. É extremamente subdesenvolvido,
com índice de pobreza de 31,4%. Quase metade da
população não sabe ler, nem escrever,
e a taxa de desemprego ultrapassa 20%.
O pequeno país localizado na África Ocidental,
próximo a Burkina Faso, Togo e Costa do Marfim,
tem como língua oficial o inglês. Ainda assim,
outros seis dialetos são falados na região,
com forte tradição tribal. A moeda é
o Cedi.
E calor nunca será problema para os rivais do Brasil.
Isso porque o clima em Gana é tropical, com
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| Goleiro
Kingson costuma sair mal do gol |
temperaturas
médias anuais próximas dos 30º C. Lá
existem duas estações das chuvas, entre
maio e junho, e agosto e setembro. Uma das atrações
é o Lago Volta, o maior feito pelo homem no mundo,
com extensão de 520 quilômetros. Ele gera
eletricidade, ajuda na irrigação e é
uma via de transporte para o interior.
A economia de Gana é baseada na extração
de recursos naturais, e ainda hoje se explora ouro. Cacau
e madeira são exportados para todo o planeta. Desde
que conseguiram a independência, os ganeses adotaram
um estilo dançante chamado high life, bastante
tocado em bares e clubes do país. Boa parte da
população é adepta da percussão,
e é comum escutar tambores sendo tocados em eventos
sociais.
Em
campo
A
principal virtude das Estrelas Negras, como são
chamados na África, é a capacidade de marcação.
Na primeira fase do Mundial, os ganeses conseguiram 140
desarmes por jogo, 21 a mais que os brasileiros. O time
de Dujkovic também bate mais: tem média
de 25 faltas por partida, contra apenas 11 da equipe de
Parreira.
Por
causa dessa virilidade, Gana estará desfalcada
de sua estrela na terça-feira, em Dortmund. O volante
Essien, que joga no poderoso Chelsea, da Inglaterra, recebeu
o segundo cartão amarelo na vitória por
2 a 1 sobre os Estados Unidos e terá de cumprir
suspensão automática. Era de Essien e do
meia Appiah a responsabilidade de criar as jogadas no
meio-de-campo, para o rápido e perigoso atacante
Asamoah Gyan. Seu único problema é a falta
de concentração na hora do arremate –
ele perdeu gols incríveis no triunfo sobre a República
Tcheca, por 2 a 0.
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| Pimpong
e Appiah comemoram gol de Gana contra os EUA |
O
goleiro Kingson é do tipo malucão. Capaz
de defesas sensacionais debaixo das traves, não
inspira qualquer confiança nas bolas levantadas
à área. Ainda assim, está sempre
se aventurando quando os adversários arriscam cruzamentos.
Pouco à frente dele fica o zagueiro Mensah, que
é muito forte fisicamente e ótimo nos desarmes.
Na única derrota na atual Copa, diante da Itália,
por 2 a 0, Gana foi bastante prejudicada pela arbitragem.
De quem? Do brasileiro Carlos Eugênio Simon, que
não marcou dois pênaltis claros.
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