O tango já virou cumbia há algum tempo.
E depois que Diego Maradona vestiu a camisa amarelinha
durante um comercial brasileiro de bebidas, os argentinos
estão a cada dia mais intrigados com o futuro da
idolatrada seleção nacional. Em Buenos Aires,
tem muito apaixonado pelo futebol sofrendo de insônia:
já faz 20 anos do último título mundial,
a equipe não pára de cair no ranking da
Fifa, o técnico José Pekerman ainda não
conquistou a confiança da opinião pública,
existem problemas de relacionamento entre os jogadores
e um forte receio de encarar o ‘Grupo da Morte’
logo na fase classificatória do Mundial.
Passeando
pelo centro da capital argentina, uma agradável
aula de história ao ar livre, passando pela Plaza
de Mayo, ao redor da Casa Rosada, passando pela Avenida
9 de Julio, até a Cathedral Metropolitana, alguns
dos principais cartões postais portenhos, é
comum encontrar homens e mulheres, senhores e crianças,
torcedores do River ou do Boca, inseguros com o desempenho
atual da equipe bicampeã mundial.
O maior alvo é mesmo o treinador. Pekerman, que
sempre trabalhou nas categorias de base da Federação
Argentina, não demonstra ter pulso firme para comandar
os ídolos da seleção principal. A
maior prova disso é que o presidente da AFA, Julio
Grondona, dará a palavra final sobre a convocação
para a Alemanha. Censura?
“No caso particular do técnico José
Pekerman, que representa 35 milhões de argentinos,
eu não posso deixá-lo entregar a lista com
os jogadores que irão à Copa sem olhá-la.
Para quê? Para satisfazer aos senhores (os jornalistas)
dizendo que é Pekerman quem manda?", afirma
o todo poderoso Grondona.
Para a imprensa especializada, o maior problema está
na desavença entre o capitão Sorín
e o veterano Verón, que se desentenderam no confronto
entre seus times pela Liga dos Campeões. Até
mais do que isso: a fanática massa argentina não
concorda com a escalação do time titular,
principalmente porque Pekerman costuma deixar Carlitos
Tevez e Lionel Messi, os melhores da atualidade, no banco
de reservas.
“É mau quando as coisas estão assim.
Se não conseguirmos encontrar uma forma de ter
a equipe unida, não vamos longe”, diz o capitão
dos anos 60 e 70, Roberto Perfumo. Outro motivo para o
geral estado de alerta: ninguém engole as atuações
do goleiro Pato Abbondanzieri, do Boca Juniors, considerado
um constante perigo de gol.
Se a pressão é grande, o peso é enorme:
Maradona (cotado para substituir Pekerman após
a Copa) avalia que cada jogador entrará em campo
com cinco quilos a mais nas costas... A Argentina enfrentará
muitas dificuldades na primeira fase da Copa. Está
no Grupo C, na companhia de Holanda, Costa do Marfim e
Sérvia e Montenegro. Os argentinos venceram a Copa
do Mundo jogando em casa, em 1978, e no México,
em 1986. Hospedam-se em Herzogenaurach, no Sudeste da
Alemanha, durante o Mundial.
Hermanos, está chegando a hora da Argentina atingir
a maturidade e deixar para trás a irreverência
da adolescência... |
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