2006 - EDIÇÃO 30

HOMENS OU MENINOS?
Por Juliana Nottoli
O tango já virou cumbia há algum tempo. E depois que Diego Maradona vestiu a camisa amarelinha durante um comercial brasileiro de bebidas, os argentinos estão a cada dia mais intrigados com o futuro da idolatrada seleção nacional. Em Buenos Aires, tem muito apaixonado pelo futebol sofrendo de insônia: já faz 20 anos do último título mundial, a equipe não pára de cair no ranking da Fifa, o técnico José Pekerman ainda não conquistou a confiança da opinião pública, existem problemas de relacionamento entre os jogadores e um forte receio de encarar o ‘Grupo da Morte’ logo na fase classificatória do Mundial.

Passeando pelo centro da capital argentina, uma agradável aula de história ao ar livre, passando pela Plaza de Mayo, ao redor da Casa Rosada, passando pela Avenida 9 de Julio, até a Cathedral Metropolitana, alguns dos principais cartões postais portenhos, é comum encontrar homens e mulheres, senhores e crianças, torcedores do River ou do Boca, inseguros com o desempenho atual da equipe bicampeã mundial.

O maior alvo é mesmo o treinador. Pekerman, que sempre trabalhou nas categorias de base da Federação Argentina, não demonstra ter pulso firme para comandar os ídolos da seleção principal. A maior prova disso é que o presidente da AFA, Julio Grondona, dará a palavra final sobre a convocação para a Alemanha. Censura?

“No caso particular do técnico José Pekerman, que representa 35 milhões de argentinos, eu não posso deixá-lo entregar a lista com os jogadores que irão à Copa sem olhá-la. Para quê? Para satisfazer aos senhores (os jornalistas) dizendo que é Pekerman quem manda?", afirma o todo poderoso Grondona.

Para a imprensa especializada, o maior problema está na desavença entre o capitão Sorín e o veterano Verón, que se desentenderam no confronto entre seus times pela Liga dos Campeões. Até mais do que isso: a fanática massa argentina não concorda com a escalação do time titular, principalmente porque Pekerman costuma deixar Carlitos Tevez e Lionel Messi, os melhores da atualidade, no banco de reservas.

“É mau quando as coisas estão assim. Se não conseguirmos encontrar uma forma de ter a equipe unida, não vamos longe”, diz o capitão dos anos 60 e 70, Roberto Perfumo. Outro motivo para o geral estado de alerta: ninguém engole as atuações do goleiro Pato Abbondanzieri, do Boca Juniors, considerado um constante perigo de gol.

Se a pressão é grande, o peso é enorme: Maradona (cotado para substituir Pekerman após a Copa) avalia que cada jogador entrará em campo com cinco quilos a mais nas costas... A Argentina enfrentará muitas dificuldades na primeira fase da Copa. Está no Grupo C, na companhia de Holanda, Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro. Os argentinos venceram a Copa do Mundo jogando em casa, em 1978, e no México, em 1986. Hospedam-se em Herzogenaurach, no Sudeste da Alemanha, durante o Mundial.

Hermanos, está chegando a hora da Argentina atingir a maturidade e deixar para trás a irreverência da adolescência...